segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

FAROESTES INDISPENSÁVEIS, PARTE 2

NÚMERO 3: My Darling Clementine [''Paixão dos Fortes''], de 1946




Wyatt Earp é um símbolo do Velho Oeste. Um sujeito de carne e osso, que atravessou todo aquele período histórico e fez de quase tudo. Caçou búfalos, foi operário de ferrovias, buscou prata em minas, gerenciou cassinos, conduziu gado por trilhas no deserto, se tornou justiceiro. Mas sua fama se consolidou por seu trabalho como xerife de cidades conflagradas, mergulhadas no caos e no conflito.

Wyatt sobreviveu ao Velho Oeste, adentrou o século XX e testemunhou o fim do estilo de vida aventureiro e desordenado que formataria para sempre o imaginário americano. Depois da Primeira Guerra Mundial já era uma lenda viva, um fóssil, e também uma fonte para os primeiros "bangue-bangues" -- força do cinema americano já na década de 1910, em pleno apogeu do cinema mudo, em um tempo em que Hollywood ainda não existia.

Uma biografia muito famosa de Earp foi lançada e se tornou um clássico instantâneo: ''Frontier Marshall'' [''Xerife da Fronteira'']. Imediatamente ela se tornou inspiração para produções dos grandes estúdios, mesmo depois que se descobriu que ela pecava por seu pequeno apego à verdade histórica. A lenda de Earp era mais forte do que os fatos, e foi elaborada, modificada, expandida em diversas versões.

Rapidamente episódios da vida de Earp se tornaram pedras basilares do mito do Oeste, como o famoso tiroteio do Curral OK, em Tombstone, em que Wyatt e dois de seus irmãos, ajudados pelo amigo Doc Holliday [outra figura indispensável na história do século XIX americano], derrotam representantes de uma gangue de ladrões de gado que se recusavam a obedecer a ordem do Xerife Virgil, que tinha proibido o porte de armas na cidade.

Elevado a símbolo da lei e da ordem, de um bravo que impôs com métodos violentos a civilização em meio a caubóis bêbedos e de armas em punho, Earp também soube deixar o distintivo de lado quando lhe apeteceu. Trabalhando muitas vezes nos meandros entre o legal e o ilegal, abraçou de vez a vida de ''fora da lei'' quando os tribunais não deram conta dos atentados que seus irmãos sofriam na mão de desafetos, incomodados com seu sucesso em pacificar cidades. O heroi reuniu um grupo, sempre apoiado pelo perigoso e carismático Doc Holliday, e saiu à caça dos inimigos, circunstância que definitivamente gravou seu nome na história da conquista do Oeste.

De todos os sucessos cinematográficos inspirados pela vida de Earp -- tais como ''Dodge City'', ''Frontier Marshall'', ''Doc'', ''Winchester 73'', ''Gunfight at the Ok Corral'', ''Hour of the Gun'', e os mais recentes ''Tombstone'' e ''Wyatt Earp'' --, ''My Darling Clementine'' [1946] é certamente o mais importante de todos, e também uma das melhores obras do mestre John Ford.

Romantizando a biografia já ultra-idealizada de Earp, Ford compôs uma poesia em forma de cinema. Não deu o papel principal para John Wayne, preferindo a figura menos dura e menos ameaçadora de Henry Fonda. Seu Wyatt é sujeito civilizado, repleto de discernimento, bem apessoado e de boa higiene, que é capaz de desarmar quase todos com sua liderança misturada a bons modos.

O lado mais sujo do heroi do ''western'' fica por conta do Doc Halliday [a mudança de nome foi para evitar conflitos com a família de Holliday] de Victor Mature, um cirurgião que deixou a sociedade da Costa Leste para se tornar o homem mais respeitado de Tombstone, levando a vida entre tiroteios, bebedeiras em tabernas, jogos de azar, os amores da dançarina Chihuahua e crises de uma tuberculose já em estágio avançado. Halliday poderia parecer um perigo para a tentativa de Earp de colocar ordem na cidade conflagrada, mas os dois estabelecem uma genuína amizade desde o primeiro encontro.

O título do filme faz menção a uma personagem fictícia e à famosa música folclórica. Clementine é uma enfermeira apaixonada por Doc, e que procura por ele na tumba do Oeste em decomposição. Apesar de todo o amor, os dois não ficarão juntos. O cirurgião sabe que há uma sentença de morte pairando sobre ele, similar ao destino traçado para o próprio Velho Oeste. A tensão que se estabelece entre a moça civilizada das metrópoles e Earp dá o tom do filme, uma paixão platônica que jamais se concretiza pela lealdade implicada na amizade entre o pistoleiro tuberculoso e o xerife.

A dinâmica da narrativa não esconde o fio de Ariadne do gênero, a busca por vingança. Wyatt aceitou ser xerife de Tombstone depois que seu irmão mais novo foi assassinado por ladrões de gado. A possibilidade de revanche dos Earp dá um sentido diferente a todos os atos que realiza em defesa da lei.

Mas o que chama atenção nessa peça única de Ford é o seu retrato singular do Faroeste. Os EUA saíam da II Guerra Mundial e rumavam para seu destino urbano, cosmopolita e tecnológico. Em contraste, John Ford oferece para sua Tombstone um panorama rústico, simples, vagaroso. O cotidiano rural está em todo lugar: conversas na taberna, preparativos para a quermesse, pregações da Igreja, danças, jogos de pôquer. O diretor presta homenagem àquele ritmo peculiar, àquela temporalidade distinta que marca a vida campestre do Velho Oeste, mais do que a uma loucura veloz de perseguições, duelos e balas zunindo que caracterizavam esse mundo imaginário.

Mais do que ação desenfreada, Ford dá a seu público um poema, uma ilustração da canção homônima do filme, como se um pequeno criador de gado tocasse sua viola do fundo de um Saloon e colocasse em palavras ritmadas e caipiras as cenas predominantes do mito. Ou como a tomada de Wyatt Earp [Henry Fonda] sentado em frente ao hotel da cidade, apoiando seu pé numa pilastra e balançando sua cadeira enquanto observa sem pressa o caminhar do pequeno povoado que se desdobra diante de seus olhos.
Todas as

sábado, 21 de janeiro de 2023

FAROESTES INDISPENSÁVEIS, PARTE 1

 

Temos muito o que aprender com um país que está se esvaindo, os EUA “profundo”, das pequena e médias cidades, do comunitarismo e perspectiva cristã entranhada, dos pequenos negócios de família, pequenos proprietários rurais. Não significa adesão ideológica, nem muito menos geopolítica, mas valorização de um certo tradicionalismo orgânico, popular e legitimamente americano.

 

O ‘Faroeste’, por exemplo, é um dos marcos da narrativa mitológica do mundo contemporâneo, com seus heróis e monstros, abismos e transcendências. Por entretenimento, vou citar nos próximos posts alguns dos filmes indispensáveis do gênero.

 

 

FAROESTES INDISPENSÁVEIS [ordem cronológica]:

 

NÚMERO 1: Stagecoach [''No Tempo das Diligências], de 1939 --> O fim dos anos 1930 ressuscitou de vez o 'western', que havia perdido espaço com a chegada do cinema falado. 1939 foi o ano da virada, com o lançamento de alguns sucessos e clássicos inesquecíveis. A partir de então, o gênero dominou a indústria cinematográfica estadunidense por três décadas.



 

Stagecoach, que uniu o diretor John Ford e seu amigo John Wayne, não foi o 'western' de maior sucesso do ano, mas estabeleceu todos os parâmetros que marcariam definitivamente a fase clássica do gênero, desde as tomadas, o roteiro e os tipos que se tornaram presentes em boa parte dos ''bangue-bangue''.

 

Uma diligência parte do Arizona rumo ao Novo México levando Dallas, uma prostituta expulsa da cidade por uma liga de mulheres moralistas; um oficial de Justiça que exerce custódia sobre Ringo Kid, um jovem caubói que busca vingança contra os assassinos de seu pai e irmão; um médico bebum; um vendedor de uísque; um banqueiro; uma mulher grávida que pretende se encontrar com o marido, oficial da cavalaria; um jogador e apostador de má fama. A diligência enfrenta o perigo de passar por território saqueado pelos Apaches de Gerônimo.

 

Tom militar no primeiro ato e psicológico no restante, perseguições, humor, a paixão entre o heroi e a prostituta de bom coração, o papel do assalto indígena e da cavalaria, filme que modelou a história do cinema.

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NÚMERO 2: The Ox-Bow Incident [''Consciências Mortas''], de 1943 --> Um tanto à frente do seu tempo, já prenunciando o ''faoreste psicológico'' e mais reflexivo em uma época em que vigorava o modelo clássico. Dirigido por William Wellman.



 

Dois caubóis visitam uma cidade que era vítima constante de roubo de gado. Enquanto bebem na taberna local, chega a notícia de que um cidadão foi assassinado em assalto. Logo se monta uma turba que, aproveitando da ausência do xerife, monta expedição para perseguir e linchar os culpados.

 

Vozes contrárias se fazem ouvir e pedem discernimento e paciência e advogam que tudo deve ser feito com legalidade a fim de que novos abusos sejam evitados. O clamor por sensatez, justiça e legalidade é sempre calado pela maioria, que deseja a ''justiça da fronteira'', feita pelas próprias mãos.

 

A turba, liderada por ex-oficial do Exército Confederado que pretende dar uma lição no filho cobardola levando-o a participar de um linchamento, promove caçada e prende três transeuntes que acampavam ali perto. Se inicia um arremedo de julgamento, com os prisioneiros sustentando a própria inocência e um conflito de consciência sobre a legitimidade do que acontecia. Os cidadãos decidem se podem ou não enforcar os sujeitos sem a presença de autoridade constituída ou de um julgamento formal, numa disputa de visões de sociedade.

 

O filme tem interpretações brilhantes de Henry Fonda, Dana Andrews e Anthony Quinn e se tornou um clássico cujo argumento foi repetido exaustivamente a partir de então, em filmes dos mais variados gêneros e também em séries e shows de TV.

 

 

CONTINUA


sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

OS 10 MAIORES TIMES JÁ MONTADOS NO BRASIL

 Um conhecido pediu minha opinião sobre os 10 maiores times de futebol já montados no Brasil. Ia fazer uma lista quando lembrei que já tinha uma publicada há pouco mais de 5 anos. Vou aproveitar aquela, fazendo as alterações que hoje penso serem necessárias.


Escolhi as equipes abaixo levando em consideração diversos critérios: o valor técnico dos seus atletas, o jogo coletivo que foram capazes de mostrar, o impacto tático, a marca que deixaram em sua geração, os títulos etc. Mas a prioridade foi dada ao aspecto técnico.



1 - SANTOS 1961/1964





O maior time da maior era do futebol brasileiro, que por ''coincidência'' foi a maior era do futebol mundial. Time do Rei, primeiro e único, inigualável, inimitável, rodeado por multidão estelar de vassalos. Time base: Gilmar; Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Mengálvio; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe.






2 - BOTAFOGO 1961/1964




O maior jogador da Copa de 1958, o meia armador Didi, unido com Garrincha, o "Anjo das Pernas Tortas", maior jogador da Copa de 1962, e circundado por Nílton Santos, a "Enciclopédia do Futebol", Zagallo, Amarildo, Quarentinha, o lendário goleiro Manga....Bom, vejam a escalação base do bicampeão carioca de 1962/63 e campeão do torneios Rio-SP de 1962 e 1964: Manga, Paulistinha/Adalberto, Jadir/Tomé, Nílton Santos e Rildo; Aírton e Didi; Garrincha, Amarildo/Édison, Quarentinha e Zagallo.





3 - FLAMENGO 1978/1983





Mítico time capitaneado por Zico, eleito entre os dez maiores do século XX em eleição na FIFA, pioneiro do 4--5-1, que venceu desde o incrível Pentacampeonato da Taça Guanabara, passando pelo tricampeonato carioca, três Brasileiros em quatro anos, e Libertadores e Mundial Interclubes. Essa equipe chegou a ficar 52 partidas invictas em 1979, até hoje um recorde no nosso futebol. Time base: Raul; Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade/Vítor, Adílio/Carpegiani e Zico; Tita, Nunes/Cláudio Adão e Lico/Júlio César.




4 - PALMEIRAS 1969/1973




Não ganhou o título de ''Academia'' à toa. Liderado por Ademir da Guia, o Palmeiras montou uma equipe diferenciada em termos técnicos e ao mesmo tempo eficiente, capaz de acumular títulos nacionais no período e roubar o protagonismo do Santos de Pelé em São Paulo. Time Base: Leão; Eurico, Luís Pereira, Alfredo Mostarda e Zeca; Dudu e Ademir da Guia; Edu Bala/Fedato, Leivinha, César Maluco e Nei.




5 - BOTAFOGO 1967/1969





Equipe que sucedeu o timaço de Garrincha, Nílton Santos e Didi, mantendo o domínio do futebol carioca e o prestígio nacional e internacional, talvez fosse uma equipe tão espetacular quanto a primeira, capaz de verdadeiros shows de bola. Bicampeão da Taça Guanabara em 1967/68, Bicampeão Carioca 1967/1968, Campeão da Taça Brasil de 1968, formava mais das vezes com Cao/Ubirajara; Moreira, Zé Carlos, Leônidas e Waltencir; Carlos Roberto e Gérson; Rogério, Roberto, Jairzinho e Paulo Cézar "Caju".




6 - CRUZEIRO 1965/1970




Houve um tempo em que a seleção brasileira era mero combinado Rio-São Paulo. Em 1962, por exemplo, um dos critérios da convocação foi que a equipe nacional tivesse o mesmo número de jogadores que atuavam no ''Eixo". O Santos quebrou a hegemonia do trio de ferro de Sampa, mas foi o Cruzeiro deste período que efetivamente "nacionalizou" a seleção brasileira e preparou a expansão do Torneio Rio-SP, que levaria ao Robertão e ao protótipo de um real campeonato nacional de clubes. Pentacampeão Mineiro 1965/66/67/68/69 e Campeão da Taça Brasil de 1966 atropelando o então Penta, nada menos que o Santos de Pelé. Time Base: Raul; Pedro Paulo, Fontana/William, Procópio e Neto; Wilson Piazza/Zé Carlos, Dirceu Lopes e Tostão; Natal, Evaldo e Hilton.




7 - VASCO DA GAMA 1945/1950




Equipe que representou a ascensão do futebol brasileiro no cenário continental e, por meio da seleção de 1950, da qual foi base, no cenário mundial. O Vasco pôs fim à hegemonia do Flamengo de Zizinho no Rio, levantou o Carioca de 1945, 1947, 1949/50, se sagrou o primeiro Campeão do Maracanã, e se tornou Campeão da América em 1948. Barbosa; Augusto/Wilson e Rafagnelli; "Príncipe" Danilo, Jorge e Ely; Lelé/Ismael, Friaça/Heleno de Freitas, Ademir Menezes/Jair da Rosa Pinto, Djalma e Maneca/Chico.




8 - INTERNACIONAL 1975/1980





Uma das mais poderosas e revolucionárias equipes da história do nosso futebol, mas que costuma ser relativizada por ter sido montada fora do Eixo Rio São Paulo. Depois de cansar de vencer o campeonato gaúcho [octacampeão entre 1969 e 1976], hegemonizou o Campeonato Brasileiro, eclipsando o Fluminense de Rivelino e tomando o lugar do Flamengo de Zico em 1979. Até hoje, é o único time a conquistar o Campeonato Brasileiro de maneira invicta. Foi vice campeão da Libertadores em 1980. Sua principal glória são os títulos brasileiros de 1975/76 e 1979 [invicto]. Manga/Benítez; Cláudio, Figueroa, Marinho Perez/Mauro Galvão e Vacaria; Batista/Carpegiani, Caçapava e Falcão; Valdomiro/Jair, Bira/Lula e Mário Sérgio/Escurinho.




9 - ATLÉTICO MINEIRO 1978/1982




Colocou fim à hegemonia do Cruzeiro em Minas e revelou um dos maiores times da história da América do Sul, que só não foi mais vitorioso porque seu maior jogador, o grande Reinaldo, enfrentou contusões sistemáticas, e pelo obstáculo do Flamengo de Zico. Hexacampeão Mineiro 1978/79/80/81/82/83. Time Base: João Leite; Nelinho/Orlando, Osmar, Luisinho e Jorge Valença; Geraldo/Chicão, Toninho Cerezo e Paulo Isidoro; Pedrinho, Reinaldo e Éder/Dario.




10 - PALMEIRAS 1993/1994




A Parmalat contratou Vanderlei Luxemburgo e ajudou o Palmeiras a montar um time histórico que colocou fim ao sofrimento de uma geração que tinha crescido apenas ouvindo as histórias da Academia no início dos anos 1970. Bicampeão paulista em 1993 e 1994, Bicampeão brasileiro 1993 e 1994, esta equipe costuma ser relativizada por causa do grande impacto dos troféus e do jogo do São Paulo de Telê, mas era tecnicamente impressionante e dominante no futebol brasileiro do período. Velloso; Mazinho, Antônio Carlos, Tonhão/Cléber e Roberto Carlos; Daniel/Flávio Conceição, César Sampaio, Edílson e Zinho; Edmundo e Evair.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

COMPLETANDO O TOP 20 DA HISTÓRIA DO FUTEBOL

 Direto ao ponto, eis os jogadores que completam meu top 20 de maiores jogadores de todos os tempos. Como eu disse em outra ocasião [no texto em que justifiquei a presença de Alfredo Di Stefano no top 10], o futebol é regido por uma dinâmica de memória que em certas épocas levam ao esquecimento de alguns atletas. Listas são um entretenimento, mas nos permitem também rememorar. Nada mais humano, nada mais divino. 


Nas dez primeiras posições:



1. Pelé
2. Messi
3. Maradona
4. Cruyff
5. Di Stefano
6. Garrincha
7. Zidane
8. Mbappé
9. Beckenbauer
10. Zico



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11. Romário


Campeão da Copa do Mundo de 1994, eleito melhor jogador da competição. Mais de 800 gols na carreira, um dos maiores artilheiros da história de Flamengo, Vasco e PSV Eindhoven. Partícipe do "Dream Tream" do Barcelona de Cruyff em 1993/94, 4º lugar entre os goleadores da seleção [com média de gols inferior apenas a Leônidas da Silva e Pelé dentro do top 10]. É defensável que seja o mais importante jogador com a camisa canarinho na Era Pós-Pelé. Não foi contemplado pela revisão do Ballon d'Or, mas foi eleito pela FIFA como melhor jogador da temporada 1994.






12. Ronaldo Nazário

O Fenômeno levantou a Copa do Mundo em 1994 na reserva, foi vice em 1998 [e eleito o melhor jogador da competição], e campeão e artilheiro em 2022. Foi o maior goleador de Mundiais, com 15 gols, antes de ser superado pelo alemão Klose [16] em 2014. Fez parte d'Os Galáticos do Real Madri que se tornaram campeões mundiais em 2022. Três prêmios FIFA de melhor da temporada e duas Ballon d'Or. Terceiro maior goleador da história da seleção brasileira e mais de 400 gols na carreira.





13. Eusébio


Um dos maiores artilheiros da história da Copa Europeia de Clubes [atual Champions League], maior nome do Benfica, clube com o qual venceu a competição continental em 1962, e liderança técnica de Portugal no terceiro lugar da Copa de 1966, em que foi artilheiro. Ballon d'Or de 1965 e chamado de "Pérola Negra", era considerado por Di Stefano como o maior jogador da história.





14. Cristiano Ronaldo

Maior artilheiro da história da Champions League, que conquistou cinco vezes; maior artilheiro da história da seleção portuguesa; 5 Ballon d'Or, 5 prêmios da World Soccer, e 5 prêmios FIFA de melhor da temporada; mais de 800 gols na carreira e único jogador a marcar em 5 Copas do Mundo. Tem 7 campeonatos nacionais jogando por clubes de 3 países diferentes. Tem 4 campeonatos mundiais de clubes e mais de 800 gols na carreira. Junto com Messi, é o jogador símbolo do futebol de clubes do século XXI, altamente concentrado na Europa.





15. Ferenc Puskas


Média superior a um gol por jogo na carreira, fez parte do lendário time do Honved que levantou o campeonato húngaro 5 vezes e era a base para o Escrete Húngaro, time que dominava o futebol nos anos 1950 antes da ascensão do Escrete de Ouro brasileiro. A Hungria foi campeã Olímpica em 1952 e vice-campeão da Copa em 1954, chegando a uma incrível média de 5,4 gols por jogo na Suíça. Em seis anos, a equipe foi derrotada apenas uma vez, justamente na final do Mundial. Marcou época também no grande Real Madri pentacampeão espanhol entre 1960 e 1965, e conquistou três Copas da Europa [atual Champions League] e um Mundial Interclubes. Mais de 800 gols na carreira.






16. Michel Platini

Maior responsável pela geração francesa dos anos 1980, que ficou entre as quatro primeiras da Copa de 1982 e 1986 e foi campeã europeia em 1984, "Le Roy" Platini, ídolo eterno da Juventus, venceu 3 Ballon d'Or consecutivos entre 1983 e 1985, feito só igualado por Lionel Messi. Campeão continental de clubes [atual Champions League] e do Mundial Interclubes pela Juventus, em 1985, tem também dois prêmios de melhor jogador da temporada pela Revista britânica World Soccer. Tem mais de 350 gols na carreira.






17. Giuseppe Meazza

Para muitos, o maior jogador italiano da história, líder da Squadra Azzurra que conquistou duas Copas em 1934 [eleito melhor jogador da competição] e 1938. Chamado de "o gênio" por sua técnica apurada, tem mais de 500 gols na carreira.






18. Marco Van Basten

7 campeonatos nacionais em 2 países diferentes, três Copas continentais de clubes [atual Champions league], dois mundiais interclubes, um dos grande ídolos da história do Ajax e do Milan. O "Holandês Voador" foi premiado com 3 Ballon d'Or e o Prêmio Fifa de melhor da temporada em 1992, 2 vezes melhor da temporada pela World Soccer. Era o maior nome do título da Eurocopa em 1988, o maior da história da seleção holandesa. Mais de 300 gols na carreira, mesmo repleto de contusões e se aposentando com apenas 28 anos de idade.





19. Paolo Maldini

A lenda do Milan, sete vezes campeão italiano, campeão europeu [atual Champions League] 5 vezes, e tricampeão mundial interclubes, com mais de 26 troféus conquistados por seu clube. Atuava literalmente em qualquer posição da defesa, das duas laterais à zaga. Foi premiado como o melhor da temporada de 1994 pela tradicional revista britânica World Soccer. Jogou 4 Copas, mas não venceu nenhuma. Foi finalista em 1994 e semifinalista em 1990, Mundiais em que foi eleito para a seleção do torneio. Foi vice também da Eurocopa de 2000.








20. Didi


Bicampeão da Copa do Mundo em 1958/62, eleito o melhor da competição em 1958. Campeão europeu [atual Champions League] e do Mundial Interclubes pelo Real Madri em 1960. Um dos grandes responsáveis pela fama do Botafogo, considerado um dos quinze maiores times do século XX em eleição da FIFA, e principal jogador brasileiro nos anos 1950 antes da ascensão de Pelé. Disputou 15 partidas em Copas do Mundo e só saiu derrotado em uma, para a Hungria de Puskas.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

OS 10 MAIORES JOGADORES BRASILEIROS DA HISTÓRIA

O meu top 10 de jogadores brasileiros. O critério é o nível técnico apresentado pelo atleta ao longo da carreira, sua importância para clubes e para a seleção brasileira, seu desempenho, impacto popular, contribuição para o desenvolvimento do jogo, e resultados. Não vou fazer um texto específico para cada um deles, mas apresentar rápidas justificativas ou apontar onde o leitor pode encontrar minha posição para a presença destes atletas na lista geral de 10 maiores de todos os tempos.



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NÚMERO 1: PELÉ, "O REI DO FUTEBOL"




Jogador mais completo e maior goleador da História [com quase 1300 gols], atleta com mais assistências na seleção, o texto sobre ele pode ser lido em: Pelé [clique para ler]



NÚMERO 2: GARRINCHA, "A ALEGRIA DO POVO"



Provavelmente o maior driblador já visto, é o sexto em número de assistências com a camisa canarinho.  Tem quase 300 gols na carreira, 245 apenas pelo Botafogo. Falei sobre o  "Anjo das Pernas Tortas" em: Mané Garrincha [clique para ler].



NÚMERO 3: ZICO, "O GALINHO DE QUINTINO"




Mais de 600 gols na carreira. 5º maior artilheiro da seleção e 4º em número de assistências, o texto sobre o "Pelé Branco", jogador brasileiro que o Rei considera ter se aproximado mais dele, pode ser lido em: Zico [clique para ler].



NÚMERO 4: ROMÁRIO, "O GÊNIO DA GRANDE ÁREA"




O "Baixinho" era tecnicamente perfeito, um dos maiores finalizadores da história, tinha habilidade e domínio de bola raramente vistos no esporte, e em seu auge atlético uma velocidade imbatível nos 30 primeiros metros.

Sua carreira internacional costuma ser minimizada pelos europeus por ter ficado "escondido" muito tempo no campeonato holandês, considerado bastante secundário na Europa, em um tempo em que as interações entre os grandes clubes ainda não haviam entrado na Era bilionária atual.

Comprado pelo "Dream Tream" montado por Cruyff no Barcelona, encantou a todos mesmo já tendo perdido parte da explosão com que era conhecido no Brasil e na Holanda. Cruyff declarou que foi o melhor jogador que ele já treinou, e Carles Rexach, braço direito do holandês, e que ajudou a contratar Messi para o Barça, afirma que nenhum atleta o deixou tão espantado e assombrado por seu nível de qualidade quanto Romário.

Começou na ponta-esquerda, mas foi um dos grandes 'atacantes' genéricos típicos do futebol brasileiro nos anos 1990, unindo a qualidade de goleador com a de ponta-de-lança. Revolucionou a posição de centroavante. Maior jogador da Copa de 1994, foi eleito pela FIFA como o melhor daquela temporada.

Romário foi o jogador mais importante da seleção brasileira na Era Pós-Pelé, o "Salvador da Pátria", papel que já exercia desde o gol do título da Copa América de 1989, quebrando um jejum brasileiro de 40 anos na competição. Até hoje é o quarto maior artilheiro da camisa canarinho, com a média de 0,71 gols por partida -- dentro do top 10 dos goleadores, inferior apenas à de Pelé e a de Leônidas da Silva. Tem mais de 800 gols na carreira, e é um dos maiores goleadores da história do Flamengo, do Vasco da Gama e do PSV Eindhoven.

Nunca se dedicou à parte atlética e dizia explicitamente que não gostava de treinos ["treinar pra quê se eu já sei o que fazer?", como perguntava funk carioca feito em sua homenagem].



NÚMERO 5: RONALDO, "O FENÔMENO"





Considerado sucessor de Romário, explodiu muito cedo no Cruzeiro, seguiu os passos do "Baixinho" mas com precocidade, e se tornou o primeiro grande astro do futebol brasileiro adaptado ao nascente mercado comum europeu de clubes. Assombrou o planeta inteiro ainda adolescente, tamanha a união entre habilidade no drible, potencial técnico, capacidade de finalização, velocidade e força física. Aos 20 anos de idade, já havia sido eleito pela FIFA como o melhor da temporada por duas vezes.

Ronaldo foi também vítima de uma má preparação física e fortalecimento muscular realizado na Holanda, que o fizeram conviver com tendinites já nos primeiros anos de Europa e acabaram por romper completamente os tendões de seu joelho direito duas vezes consecutivas quando ainda tinha 22 anos de idade. As contusões foram impressionantes, o afastaram dos gramados por três anos, e ele foi considerado morto para o futebol. Sua ressurreição esportiva em plena Copa de 2002, em que marcou 8 gols em 7 jogos, incluindo os três que decidiram a semifinal e a final da competição, foi um dos momentos mais gloriosos e impactantes da história.

A carreira do "Fenômeno" foi minorada por causa das contusões [ele sofreria outra ruptura ligamentar no Milan, em 2008, desta vez no joelho esquerdo]. Mas não o impediram de assumir status de lenda. É considerado pelos europeus como o maior centroavante já visto. Não fossem as lesões, certamente estaria hoje no top 5 dos maiores jogadores de todos os tempos.

Era reserva na seleção que conquistou o tetra em 1994, mas foi o principal nome do título em 2002, ao lado de Rivaldo. É o brasileiro que mais marcou em Copas do Mundo, com 15 tentos em 17 partidas, uma impressionante média de 0,88. É o terceiro maior artilheiro e o quinto em assistências na história da camisa canarinho. Marcou mais de 400 gols na carreira.


NÚMERO 6: DIDI, “O PRÍNCIPE ETÍOPE”



É impressionante o esquecimento que tem se abatido sobre o nome de Didi nas listas nacionais e internacionais de craques. Trata-se de um dos atletas mais vitoriosos e importantes da história do futebol nacional. Participou de duas das maiores equipes do século XX: o Botafogo do início dos anos 1960 e o Real Madri do fim dos anos 1950. Disputou três Copas do Mundo, foi eleito o melhor jogador de uma delas, levantou dois troféus, e em quinze partidas em Mundiais só saiu derrotado de campo em uma: para a Hungria de Puskas, em 1954.

 

Didi se consolidou como o maior jogador brasileiro nos anos 1950 quando, ainda jogador do Fluminense, venceu polêmica disputa com Zizinho pelo lugar na Copa da Suíça. Primeiro grande cobrador de falta da história da seleção, se tornou herói das Eliminatórias para 1958 ao marcar o gol da classificação com sua “folha seca” em vitória sobre o Peru. Suas atuações e liderança na Suécia, em 1958, o levaram ao Real Madri, em que teve relação conturbada com Di Stefano, maior jogador do clube e líder de uma panelinha. Ainda assim, participou das campanhas vitoriosas na Liga dos Campeões e no Mundial Interclubes de 1960.

 

Retornou ao futebol brasileiro para tomar parte do time do Botafogo que se tornaria base da Copa de 1962, bicampeão carioca 61/62, do Rio São Paulo de 1962 e semifinalista da Libertadores de 1963. O time só não alcançou maiores alturas porque enfrentava o Santos de Pelé, considerado uma das três maiores equipes do século passado. Ainda assim, a fama do Botafogo da época foi estabelecida mundialmente em excursões por toda a Europa, que fazem d’O Glorioso  um dos mais conhecidos clubes brasileiros até hoje.

 

Ainda que não fosse um goleador, Didi marcou mais de 200 tentos na carreira, 21 deles pela seleção brasileira. Se tornou também um dos mais importantes treinadores da história do futebol sul-americano ao liderar o Peru que se classificou para a Copa de 1970 no lugar da Argentina.

  


NÚMERO 7: LEÔNIDAS DA SILVA, “O DIAMENTE NEGRO”




 

Um dos atletas mais importantes da nossa história em múltiplos níveis, Leônidas representa não só a definitiva massificação do futebol brasileiro como seu florescimento na Copa do Mundo. Foi um dos principais responsáveis pela consolidação da imagem de um tipo de jogo marcado pelo drible, improviso e jogadas plásticas. Ícone do Brasil que se via como miscigenado e malandreado, foi o jogador mais popular até a ascensão de Pelé e Garrincha. É também o único jogador brasileiro a marcar gols em todos os jogos das duas Copas de que participou: fez o único do país em 1934, e foi o primeiro artilheiro brasileiro em 1938. [Por causa de uma contusão, ele não estava em campo na eliminação diante da Itália, na semifinal.]


Leônidas é oficialmente reconhecido como o principal jogador do Mundial de 1938, na França, marcando 7 gols em 4 partidas, ocasião em que anotou um dos mais famosos tentos da história da competição, ao anotar de bicicleta, uma artimanha até então desconhecida para os europeus. Ainda hoje se encontra entre os dez maiores goleadores da seleção brasileira, e dentro do top 10 ninguém tem média melhor do que ele, nem Pelé: 37 gols em 37 partidas, um gol por jogo.

 

Tornou-se um dos maiores ídolos e goleadores da História do Flamengo [tem mais de 150 gols pelo clube e média superior a 1 gol por jogo] e do São Paulo. Foi também um os grandes trunfos da CBD para trazer a quarta edição da Copa do Mundo para o Brasil. Fez mais de 500 gols em toda a carreira.

  


NÚMERO 8: ZIZINHO, “O MESTRE ZIZA”




 

 

Sucessor de Leônidas da Silva no Flamengo, era reconhecidamente o maior jogador brasileiro dos anos 1940. Saiu consagrado como o melhor jogador da Copa de 1950, mesmo com a derrota brasileira no torneio. Ídolo de Pelé, era considerado um jogador completo, capaz de jogar em todas as posições do meio campo para frente. Sua marca registrada era a arrancada com a bola grudada no pé, driblando em zigue-zagues. Conduziu o Flamengo ao seu primeiro tricampeonato, e depois do Mundial de 1950 brilhou por 7 temporadas no Bangu antes de terminar a carreira no São Paulo levantando o campeonato paulista de 1957.


Recusou o convite para jogar a Copa de 1958, segundo ele para não deixar de fora “um jovem jogador que atuava na mesma posição.” Tem mais de 300 gols marcados durante a carreira. É o 14º maior goleador da seleção, com 31 gols; e o terceiro em maior número de assistências, com média de 0,59 por partida, a maior do top 10 de "passes para gol" na equipe nacional.

  


NÚMERO 9: RONALDINHO GAÚCHO, ''O BRUXO''



 

Jóia gaúcha no fim dos anos 1990, saiu brigado do Grêmio em um período em que os clubes brasileiros ainda não tinham se adaptado à derrocada da Lei do Passe. Despertava desconfianças da imprensa paulista, que se tornaram ridículas com a Copa de 2002, em que foi um dos protagonistas do Penta, com assistências e gols históricos. Mas foi ao trocar o Paris Saint Germain pelo Barcelona que o “Bruxo” deu o salto definitivo em sua carreira, elevando o Barcelona de rival do Real Madri a dono do continente.

 

Além de tornar o Barça um clube vencedor na Europa, Ronaldinho atingiu um nível de atuações que o levaram a ser comparado com Maradona, dada a união entre a habilidade com a bola, capacidade de drible e jogadas geniais. Tornou-se sinônimo de entretenimento e foi eleito pela FIFA como o melhor do mundo em duas temporadas consecutivas. Seria a grande esperança brasileira em 2006, mas naufragou com o restante da equipe, que não conseguiu alcançar as semifinais.


Com a carreira abalada pela falta de compromisso profissional, Ronaldinho perdeu espaço no Barcelona e depois na Europa, ainda que tivesse condições de disputar o Mundial em 2010 pelas performances que demonstrava no Milan. Voltou para o Brasil alcançando algum sucesso no Flamengo e, principalmente, no Atlético Mineiro. Conquistou a Libertadores da América com o Galo, em 2013, se tornando um dos nove atletas brasileiros a ter levantado o troféu das competições continentais europeia e sul-americana.

 

Chamado por Romário de “o último romântico”, Ronaldinho se tornou, sem querer, embaixador do futebol no mundo inteiro, tamanho seu carisma e sua arte com a bola nos pés. O “Bruxo” vivenciou uma das eras mais vitoriosas da seleção brasileira. Venceu não só a Copa de 2002 como também a Copa das Confederações de 2005 e  Copa América de 1999. É o 13º maior goleador [34 tentos] e o 9º em assistências pela seleção nacional. Marcou mais de 350 vezes na carreira. Alguns dos momentos que proporcionou no campo estão entre os mais extraordinários da história do esporte.

  

NÚMERO 10: RIVELINO, “A PATADA ATÔMICA”




 

Atleta que mais defendeu a camisa da seleção brasileira no século XX e um dos destaques da Copa de 1970, em que recebeu o apelido de “Patada Atômica”, o “Reizinho do Parque São Jorge” foi um dos maiores meia-armadores da História e ídolo máximo de Diego Maradona. Era o grande nome da seleção na maior parte dos anos 1970, entre a despedida de Pelé e a ascensão definitiva de Zico. Um dos maiores ídolos do Corinthians e do Fluminense, foi bicampeão carioca em 1975/76, participando da maior equipe já vista no tricolor das Laranjeiras, a “Máquina”. Rivelino é o 7º maior goleador da seleção, com 43 gols, e o 7º maior em número de assistências. Marcou mais de 250 vezes na carreira.