quinta-feira, 25 de abril de 2024

OS MAIORES DA HISTÓRIA DO FLAMENGO -- Zagueiros: Parte final

9 ) RONALDO ANGELIM, O "MAGRO DE AÇO" (2006/11)

♬Bonita foi a festa do Hexa com o Imperador,
o gol do Angelim no escanteio que o Pet cobrou♫




Nem só de craques de apurada técnica e vitoriosos na seleção vive um grande clube. Ídolos se constroem em dedicação ao time, identificação com a torcida e heroísmo. E poucos zagueiros demonstraram tantas vezes isso pelo Flamengo quanto esse cearense vindo de Cariri e das proximidades da mística Juzeiro do Norte, terra do Padim Ciço.

Angelim já estava imortalizado no coração do torcedor do Fortaleza quando chegou ao Flamengo em 2006. Teve dificuldades pra se consolidar como titular, mas se acertou definitivamente com a vinda de Fábio Luciano pra companheiro da zaga. Angelim continuou em sua toada mesmo após a aposentadoria do parceiro, dando solidez à defesa que veio a se tornar campeã brasileira em 2009.




Esse título é um dos mais especiais da história rubro-negra. Colocou fim a uma era de trevas em que O Mais Querido ficou distante da disputa pelos principais títulos nacionais. Já eram dezessete anos sem vencer a principal competição brasileira. Ainda que não tenha dado origem a uma nova Era de Ouro, como Rondinelli em 1978, o cabeceio de Angelim na rodada final contra o Grêmio, em um Maracanã lotado, redimiu toda uma geração de rubro-negros, que naqueles tempos só escutavam dos mais velhos o famoso ''Meninos, eu vi...''

Angelim os fez ver também. No dia seguinte à conquista, um jornalista de veículo famoso perguntava, ''como um clube desse tamanho fica 17 anos sem ganhar o Brasileiro?" Não era pra ficar, não pode ficar.




Profissional dedicado, sério, exemplar, Angelim deixou o clube em fevereiro de 2011. Mas está pra sempre marcado no coração de todo torcedor. O nome dele, aliás, é Ronaldo. E naqueles tempos nos acostumamos a dizer com todo orgulho: só há um único e verdadeiro Ronaldo. O Angelim.

Seus principais títulos n'O Mais Querido do Brasil: campeão carioca em 07/08/09 e 2011; Copa do Brasil 2006; Campeonato Brasileiro em 2009.






10) LÉO PEREIRA [2020/CONTINUA]





É sempre uma temeridade colocar em uma lista de maiores um jogadores que ainda está em atuação. O mundo dá reviravoltas. Mas se existe um zagueiro que pode exemplificar o giro da roda da vida é Léo Pereira. Chega ao clube como uma promessa e em um clube que se encontrava em "outro patamar" no futebol brasileiro. Mas não consegue se firmar e se torna sinônimo de desconfiança na torcida.

Em 2021, o nome de Léo Pereira gerava frustração e raiva entre os rubro-negros. William Arão, cuja posição original era a volância, se tornou titular da quarta-zaga porque o especialista da posição não conseguia se firmar. Em alguns momentos foi reserva do reserva. A impressão é que não saía do clube porque não existia uma proposta que compensasse o investimento inicial.

A chave mudou a partir de 2022, quando Léo Pereira formou uma zaga histórica com David Luís, em uma equipe que conquistou a Libertadores invicta, com 12 vitórias em 13 partidas, a melhor campanha da história da competição. Léo ganhou respeito e confiança, que só cresceu com o empenho em campo e gols decisivos em 2023, uma temporada em que ele foi um dos poucos destaques do elenco.



A partir de então, ninguém foi capaz de ameaçar sua titularidade. A chega de Ortiz não o abalou em 2024, o "camisa 10" da zaga teve de disputar a titularidade com Fabrício Bruno. No ano seguinte, foi a vez de Danilo experimentar a dificuldade de disputar posição com Léo Pereira. Nessas duas temporadas, em que o clube levantou oito taças, Léo Pereira foi o melhor zagueiro do elenco, e o respeito da torcida se transformou em idolatria, em apelidos carinhosos ["Karolino"] e em identificação com um jogador capaz de ser soberano na zaga, ajudar na lateral esquerda, fazer às vezes de meia, e até bancar o centroavante se necessário, sempre com disposição máxima em campo e recorde de partidas por temporada.




Faltava a seleção brasileira, um sonho que ficava inexplicavelmente distante, alimentando teorias da conspiração pela sua ausência das listas dos técnicos que passaram pelo comando da equipe canarinho no ciclo da Copa da América do Norte. Mas bastou uma convocação, na última data FIFA antes da convocação, para que Léo Pereira conquistasse o experiente e consagrado treinador italiano Carlo Ancelotti, espantado com o vigor físico, a técnica, saída de bola, e capacidade de lançamento do zagueiro flamenguista. E assim, o ''patinho feio" é agora um dos representantes d'O Mais Querido na Copa de 2026. E não houve torcedor que não ficasse orgulhoso com o sonho realizado pelo ídolo.




O currículo de Léo Pereira é quase que imbatível. São mais de 300 jogos com o Manto Sagrado, e até aqui os títulos de campeão carioca de 2020/21, 24/25/26; a Supercopa do Brasil de 2020 e 2025; Copa do Brasil 2022 e 2024; Campeonato Brasileiro em 2020 e 2025; Recopa Sul-Americana em 2020; Libertadores da América em 2022 e 2025; Derby das Américas em 2025; Copa Challenger 2025.


11) OUTROS

Depois de escolher a prateleira superior com os principais beques do clube, vamos a um grupo que está colado no principal, e que só não teve lugar por critérios desse que vos escreve.

I) EMMANUEL NERY [1912/19]

Assim como seu companheiro Píndaro de Carvalho, esse carioca fez parte do grupo de jogadores que, brigados com o Fluminense, buscaram refúgio na Gávea. Esteve no primeiro jogo da história do Flamengo, participou da primeira dupla de zaga, e também foi titular na primeira partida da história da seleção brasileira. Seus principais títulos pelo Flamengo são o bicampeonato carioca 1914/15.



II) NEWTON CANEGAL [1939/1952]

Também carioca, chegou no clube para fazer parceria com Domingos da Guia e permaneceu depois do parceiro sair da Gávea. Atuou no clube por 13 temporadas. Levantou 16 taças, sendo as principais os cariocas de 1939, 42/43/44, além do Rio São Paulo de 1940 [não reconhecido pela CBF]. Foi técnico das divisões de base e auxiliar técnico depois da aposentadoria.



III) PAVÃO [1951/1960]

''♬O mais querido tem Rubens, Dequinha e Pavão.
Eu já rezei pra São Jorge pro Mengão ser campeão.♫''

Imortalizado no samba de Wilson Batista, Marcos Cortez, paulista revelado na Portuguesa Santista, era titular absoluto do Rolo Compressor, equipe do Flamengo que dominou o Rio durante a maior parte dos anos 1950. Foi tricampeão carioca em 53/54/55. No fim da carreira, voltou pra cidade natal e jogou pelo Santos de Pelé.




IV) JAYME DE ALMEIDA [1972/77]

Filho de uma lenda da Gávea [Jaime, de quem falarei em breve], foi profissionalizado pelo Flamengo no início dos anos 1970. Tinha grande técnica, e ajudou o clube a levantar os estaduais de 1972 e 1974, além do bicampeonato da Taça Guanabara em 1972/73. Vendido para o São Paulo, ganhou o paulistão mas sofreu contusão séria que o prejudicaria até o fim da carreira. Vestiu a camisa da seleção brasileira em torneios em 1976. Depois da aposentadoria, se tornou técnico, com três passagens pelo Flamengo, se sagrando campeão carioca em 2017 e campeão da Copa do Brasil em 2013.




V) JÚNIOR BAIANO [1989/1993; 1996/1998; 2004/05]

Revelado pelo Flamengo em uma era de imensa rivalidade com os jogadores formados nas categorias de base do Vasco, foi um dos principais beques brazucas dos anos 1990, conhecido pela técnica apurada que se misturava com surtos de loucura e violência. Tem uma das carreiras mais vitoriosas de nosso futebol. No Flamengo, venceu, dentre outros títulos, o campeonato carioca de 1991 e 2004, a Copa do Brasil de 1990, a Copa Conmebol em 1996 e o Campeonato Brasileiro de 1992. Foi campeão da seleção brasileira na conquista da Copa das Confederações em 1997 e no vice da Copa de 1998.



VI) FÁBIO LUCIANO [2007/09]

Chegou consagrado ao Flamengo para encerrar a carreira de forma digna, e formou uma das mais memoráveis duplas de zaga do clube, com Ronaldo Angelim, responsável pelo tricampeonato carioca 2007/08/09 em cima do Botafogo. Se tivesse adiado um pouco a aposentadoria, terminaria campeão brasileiro pelo clube.





VII) RODRIGO CAIO [2019/23]





Formado pelas divisões de base do São Paulo, o zagueiro viveu relação de amor e ódio com a torcida do tricolor paulista. Acabou responsabilizado pela perda de peso do clube nas disputas nacionais e internacionais, e pelo jejum de títulos que se abateu sobre o Morumbi. Foi negociado com o Flamengo sob grande desconfiança, mesmo sendo atleta vez em quando convocado para seleção brasileira e que foi cotado para a Copa de 2018. Mas no Flamengo seu futebol floresceu como nunca. Formou uma das mais lendárias duplas de zaga já vistas n'O Mais Querido, junto ao espanhol Pablo Marí. E mesmo quando a parceria se rompeu, se manteve como o líder incontestável da defesa de um dos elencos mais dominantes já montados na Gávea. Infelizmente, a gravidade dos problemas físicos comprometeu não só sua carreira na seleção como sua continuidade no clube. Principais títulos: tricampeonato carioca 2019/20/21; Supercopa do Brasil 2020/21; Recopa Sul-Americana 2020; Campeonato Brasileiro 2019/20; Copa do Brasil de 2022; Libertadores da América em 2019 e em 2022.





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