A Inglaterra inventou o jogo moderno. Consolidou as regras, popularizou o esporte, o levou para todos os continentes, criou a cultura de clubes. Foi vanguarda do profissionalismo, dos grandes públicos, e símbolo máximo do "violento esporte bretão" por pelo menos meio século.
É importante destacar a influência escocesa na criação da "Pirâmide", a tática de 2-3-5 que transformou o futebol em um esporte verdadeiramente coletivo, e substituiu a formação tática mais comum até então [1-2-7 ou 1-1-8], que empilhava atacantes.
Mas foram os ingleses que adaptaram esse esquema na seleção e o tornaram hegemônico até o fim dos anos 1920, década em que uma das grandes revoluções táticas ocorreu no Arsenal: o WM, que conquistou o mundo por vinte anos, até ser substituído pelo 4-2-4 húngaro/brasileiro.
O domínio inglês se expressava nas Olimpíadas, maior competição internacional de seleções. A Grã-Bretanha venceu três dos quatro primeiros torneios olímpicos. A maior parte da equipe britânica era formada por jogadores amadores ingleses [que adotou o profissionalismo ainda em 1885].
Depois de 1920, os ingleses deixaram de disputar as Olimpíadas. Tampouco se filiaram à FIFA quando ela foi formada. Deram uma banana para as primeiras Copas do Mundo, e continuaram a se considerar os maiorais do planeta.
Adotaram no mundo do futebol a mesma postura geopolítica que marcou o século XIX inglês, um tipo de ''esplêndido isolamento".
É bastante discutível que fossem de fato os melhores nos anos 1930, mas não havia dúvida que Inglaterra ainda era o símbolo máximo do esporte. As escolas sul-americana e danubiana nasceram como tentativas de responder ao futebol inglês [[anos 1920/30].
Depois da II GM, a Inglaterra descobriu que não era mais o "país do futebol". O calor do Brasil serviu de desculpa para o vexame na Copa de 1950, a primeira que disputaram, em que perderam partida famosa para os EUA em pleno Estádio Independência, em Minas Gerais.
Mas a primeira derrota em casa do 'english team' diante de uma seleção do continente europeu foi avassaladora: a Hungria de Puskas e Hidegukti enfiou 6 a 3 em pleno Wembley. Depois se seguiu o 7 a 1 da partida de volta em Budapeste.
É possível dizer que foi o 7 a 1 dos ingleses, o momento em que reconheceram que estavam inferiorizados técnica e taticamente diante do continente europeu, e quiçá do mundo: a Inglaterra foi eliminada nas quartas de final da Copa de 1954 pela Celeste Olímpica.
Mas seria tolice dizer que o futebol da Inglaterra afundou nesse período. Eles se adaptaram, e fizeram campanhas fortes nos anos 1960 na tentativa de retomar a coroa. As seleções inglesas dos anos 1960 eram excepcionais.
Em 1962, foram barrados nas quartas de final pela Seleção brasileira liderada por um Garrincha endiabrado. Em 1966, conquistaram seu título em casa, maior glória do futebol inglês -- a polêmica da final é típica de rivalidade futebolística, mas não eclipsa a qualidade daquela equipe, que quatro anos depois fez jogo muito equilibrado com o famoso escrete de 1970.
A crise se abateu forte sobre a Inglaterra na década de 1970, quando fracassou nas Eliminatórias de duas Copas consecutivas. Só voltou a disputar o Mundial quando o número de vagas aumentou para 24 seleções. Fez boas campanhas nos anos 1980, sempre entre as oito primeiras. O quarto lugar de 1990 é até hoje seu melhor resultado depois do troféu de 1966.
O fracasso em 1994 abalou de vez o prestígio do futebol inglês. Seu retorno ao Mundial se deu, mais uma vez, com o inchaço da competição -- agora para 32 seleções. Mas a Inglaterra não virou uma nulidade. Sempre capaz de montar boas equipes, chegou de novos às semifinais em 2018, e se mantém na seleta elite do esporte.
Os ingleses estão em sua 17ª Copa. Tem um título, chegaram 3 vezes entre os quatro primeiros, e doze vezes entre os oito melhores. Enfrentaram o Brasil quatro vezes em Copas e com uma curiosidade. Sempre que jogou com os ingleses, a Seleção brasileira foi campeão. Foram 3 vitórias [Quartas de Final de 1962, Fase de Grupos de 1970, e Quartas de Final de 2002] e um empate [o primeiro 0 a 0 da história das Copas, na Fase de Grupos de 1958].
O título de 1966, as três medalhas olímpicas, o domínio do esporte por longo período, seu papel no desenvolvimento e na difusão de jogo, e jogadores históricos ao longo do tempo garantem à Inglaterra à oitava posição de maior seleção da Historia.
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