A estratégia fracassou de modo tão completo que deixou a liderança ianque baratinada, como se não tivesse escopos claros. Trump busca agora redefinir a estratégia no meio da campanha: não é mais mudar o regime, não é mais roubar seu petróleo, não é sequer ter domínio sobre Ormuz. É só evitar que o Irã tenha capacidade nuclear [coisa que podia fazer via diplomacia, segundo os jornais, e mantendo Ali Khamenei vivo], e destruir suas forças convencionais.
sábado, 21 de março de 2026
QUARTA SEMANA DE GUERRA: QUEM ESTÁ VENCENDO POR ENQUANTO?
A estratégia fracassou de modo tão completo que deixou a liderança ianque baratinada, como se não tivesse escopos claros. Trump busca agora redefinir a estratégia no meio da campanha: não é mais mudar o regime, não é mais roubar seu petróleo, não é sequer ter domínio sobre Ormuz. É só evitar que o Irã tenha capacidade nuclear [coisa que podia fazer via diplomacia, segundo os jornais, e mantendo Ali Khamenei vivo], e destruir suas forças convencionais.
terça-feira, 10 de março de 2026
O Poder Espiritual na História do Irã, ou: O Imam, o Rei e os Juristas-Clérigos
Eu sou Ismāʿīl, vim ao mundo;
Muḥammad Muṣṭafā, selo dos profetas, chegou...
Meus imames Jaʿfar al-Ṣādiq e ʿAlī Mūsā al-Riḍā vieram.
[...]
O Eleito vestiu mil e uma vestes
e percorreu a terra.
Prostra-te! ...
Eu sou idêntico a Deus...
Vem, olha agora para a verdade divina, ó homem cego e errante:
Eu sou a Causa Primeira Absoluta em movimento sobre a qual os homens falam!
Poemas do Xá Ismail
O conflito do Irã é bom para pensar uma das fragilidades mais evidentes dos estudos históricos, a minimização da agência de organizações religiosas.
domingo, 8 de março de 2026
O MITO PROTESTANTE DO "CÂNON DE SÃO JERÔNIMO"
Para justificar a novidade de seu Cânon, os evangélicos reivindicam São Jerônimo, muitos deles jurando que a tradução da Vulgata desse Santo Padre coincidia com o que eles pensavam das Escrituras.
segunda-feira, 2 de março de 2026
O ISLÃ XIITA, O IRÃ, E O AYTOLLAH KHAMENEI
| Muhammad al-Madhi, o Imã Oculto no xiismo duodecimano |
Muitos acreditaram que os EUA tinham obtido uma vitória simbólica e até decisiva com o assassinato de Khamenei. A leitura da grande mídia, especialmente a brasileira, é a de que Trump teria um troféu para exibir internamente, e que o regime iraniano poderia sofrer alguma paralisação e até o colapso.
| O Santuário do Imã Hussein ibn Ali, erguido em Karbala, Iraque: centro de devoção e peregrinação xiita |
| Ashura, dia em que os xiitas rememoram que o mundo é dominado pelo mal, e que o fiel tem de lutar em nome da Verdade e da Justiça Divinas em todas as áreas, mesmo ao ponto do martírio |
| Ruhollah Khomeini, epicentro da maior revolução religiosa do último século. |
É a partir desse arcabouço que tem de ser analisado o impacto do assassinato de Khamenei. Para eles, o "martírio" de Khamenei ou de Nasrallah [líder do Hezbollah] é a seiva da própria espiritualidade shia. Morrer como os Imãs é visto por eles como a suprema glória. Eles vão lamentar, chorar, mas ao mesmo tempo se convencer de que a perseguição pelos poderes desse mundo prova que estão do lado correto, lutando pela Justiça em um mundo inteiramente dominado pela opressão e pela obscuridade.
| Khamenei orando: sucessor de Khomeini como Líder Supremo foi responsável pela institucionalização do regime e também pela moderação da Guarda Revolucionária |
É ingenuidade completa imaginar que se poderia derrotar o Irã com o assassinato de suas lideranças religiosas. Isso é mais ou menos como um César Romano da Antiguidade acreditar que poderia conter o cristianismo torturando e matando um santo da antiguidade. [Mais uma vez, a comparação aqui se dá no campo da fenomenologia da religião.]