sábado, 27 de junho de 2026

TOP 10 SELEÇÕES DA HISTÓRIA -- 9) HOLANDA, o Futebol Total

 AS DEZ MAIORES SELEÇÕES DE TODOS OS TEMPOS


Os principais critérios são desempenho em Copas do Mundo, títulos, grandes jogadores, seleções inesquecíveis, domínio de alguma época, e papel no desenvolvimento do jogo e de outras gerações.



9º lugar: HOLANDA, o Futebol Total


O profissionalismo só chegou na Holanda na década de 1950, mudando sobremaneira um futebol que era até então anglófilo no estilo e na tática, e elitista nos modos. Junto com o profissionalismo, a influência da escola do Danúbio [clique] levou a uma síntese entre o apreço pelo futebol baseado em passes curtos e posse de bola, potência física, e disciplina rígida no comportamento dentro e fora de campo.



Essa mescla entre romantismo e força passou pela batuta dos técnicos Jack Reynolds, Rinus Mitchel e Ernst Happel; e teve como laboratório o Ajax e, em menor medida, o Feyenoord. Em campo, seu grande realizador foi o gênio de Johann Cruyff.



Ao sistema danubiano, que preconizava troca de posições constantes entre os atacantes, os holandeses acrescentaram a mudança entre jogadores de linhas diferentes. Laterais viraram pontas, pontas viravam volantes. O vanguardismo superou o 4-2-4 dominante. A formação 3-4-3 praticamente se tornou uma marca registrada da escola holandesa.




Mas nenhuma novidade foi tão impactante quanto a pressão sobre o homem da bola. Usando com perfeição a regra do impedimento, os holandeses encurtavam o campo por meio de uma marcação pressão extraordinária e que revolucionou o jogo. Se tratava, no fim das contas, de manipular o espaço, diminuindo ou ampliando o campo com a subida da linha defensiva.




Cruyff diria mais tarde que a estratégia se devia ao ceticismo holandês quanto às próprias capacidades técnicas. Eles achavam impossível enfrentar brasileiros e argentinos em espaços maiores. Na perspectiva brasileira, a montoeira de defensores correndo para fazer um abafa sobre o adversário com a bola parecia uma "tática de pelada" e uma "linha burra". Mas era o início de uma transformação profunda no jogo que conduziria ao chamado 'jogo de posição' através de um gradual desenvolvimento cujo fio de Ariadne passou pelo trabalho de Cruyff no Barcelona.




O esquadrão que apresentou o novo futebol na Copa ficou conhecido como "Carrossel Holandês". Ou pelo epíteto mais impactante de "Laranja Mecânica". No mundo da tática, era o "totaalvoetbal" [futebol total], que exigia grande inteligência tática e conhecimento do jogo dos onze em campo, e uma capacidade física ímpar.



Capacidade física, é bom lembrar, que esteve sob suspeita de uso de substâncias ilícitas, mais tarde confirmadas em biografia de Salo Muller, o massagista do Ajax nos anos áureos do início dos anos 1970 -- equipe que foi a base para o famoso escrete de 1974.

Seja como for, o "futebol total" foi também um experimento paradoxal de rigidez no controle do comportamento dos jogadores que se chocava com a liberalidade e a revolução adolescente que ocorria em Amsterdã no fim dos anos 1960, sacudida pela contracultura do movimento Provo.



Esse experimento seria impossível sem o cultivo da técnica refinada que era característica da forma dos holandeses encararem o futebol. Mesmo quando nao conseguia mais replicar com eficácia a revolução que se viu no Mundial da Alemanha Ocidental, a Holanda não parou de revelar grandes gerações de jogadores.



Depois do famoso time dos anos 1970, os holandeses formaram uma equipe com Marco Van Basten, Gullit e Rjikaard, que desfilaram pelos gramados italianos. A geração decepcionou em Copas, mas foi responsável pela maior conquista do futebol do país, a Euro de 1988. Logo depois, surgiu o time de Koeman, Seedorf, Davids, Bergkamp e dos irmãos De Boer. Um pouco mais tarde, Sjneider e Robben levariam a Holanda a mais uma final de Copa seguido por um terceiro lugar.




Ainda que tenha ficado ausente de algumas Copas [1982, 1986, 2002, 2018], a Holanda jamais voltou a ser uma seleção menor. O impacto no desenvolvimento do jogo, suas três finais, e jogadores históricos são suficientes para colocá-la entre as 10 maiores de todos os tempos.
Alguns reivindicariam uma posição até mais elevada para os holandeses. Mas falta a eles uma história relevante antes dos anos 1970 [tiveram duas participações apagadas nas Copas de 1934 e 1938, e só] e um título em Copa do Mundo.



A Holanda está em sua 12ª Copa. Tem 3 vice-campeonatos, e ficou 5 vezes entre os quatro primeiros. Tem um título europeu, e três medalhas de bronze olímpicas. As ideias de sua escola tiveram continuidade no Barcelona, no técnico Pepe Guardiola, e se tornaram hegemônicas no início do século XXI.

O Brasil enfrentou a Holanda 5 vezes em Copas do Mundo, três deles confrontos que entraram para a história do evento [1974, 1994 e 1998]. O Brasil perdeu três vezes: na segunda fase de grupos de 1974, nas quartas de final de 2010, e na disputa de 3º lugar de 2014. Tivemos um empate seguido de vitória nos pênaltis na semifinal de 1998. E uma vitória nas quartas de final de 1994.


Nenhum comentário:

Postar um comentário