sábado, 11 de abril de 2020

O vírus ocidental, ou: da tola tentativa de jogar a epidemia na conta da China


Os liberais batem frequentemente na ideia estapafúrdia da ''culpa chinesa'' pela epidemia. A narrativa tem objetivos geopolíticos, numa tentativa desesperada de criar um anteparo artificial contra o crescimento chinês diante de um Ocidente cujas pernas bambeiam; e também uma sinalização para o público interno de alguns países, com a transferência de responsabilidade pelo impacto da doença a partir da criação de um espantalho na forma de um inimigo externo.

É bobagem usar a origem geográfica do vírus como um modo de atingir os chineses. Não se sabe ao certo como a transmissão se iniciou, mas tudo indica que não tem nada a ver com os mercados de ''animais exóticos'' [os mercados molhados]. Mutações de vírus acontecem todos os dias. Essa se disseminou com velocidade extrema por causa da globalização, um processo impulsionado principalmente a partir do Ocidente -- se a China se aproveitou da agenda ocidental para se tornar a principal fábrica do mundo, é porque soube jogar melhor do que seus adversários, apenas isso.

Não é preciso nem se prender ao problema, cada vez mais importante, de saber se o Sars-coV-2 de fato se originou na China, ou se foi detectado pela primeira vez lá -- já que o país possui o sistema de detecção de novos vírus mais eficiente do planeta. Há indícios de que havia casos de covid-19 na Itália e nos Estados Unidos já em início de janeiro, e em até mesmo em novembro. Não se sabe ao certo onde tudo começou, nem muito menos como foi a transmissão original.

O novo coronavírus golpeou forte a economia chinesa, levando-a à primeira crise nos últimos quarenta anos. É nonsense imaginar que os dirigentes chineses estão felizes e satisfeitos com a redução do crescimento do PIB para taxas próximas de 1% ou 2%.

Uma outra linha de acusação à China visa manter a ilusão de superioridade dos regimes políticos ocidentais. O autoritarismo chinês teria ''escondido'' a epidemia, atrapalhando assim seu combate ao redor do globo.

Nada poderia ser mais falso. O oftalmologista Li, cujas mensagens em um chat de médicos vazaram no finzinho de dezembro, foi elevado ao status de herói por certa mídia ianque e europeia, que denuncia a suposta censura sofrida por um destemido cientista. Mas Li, cuja especialidade não tem nada a ver diretamente com controle de epidemias, divulgou uma informação errônea, de que havia em Hubei um novo tipo de SARS.

Antes fosse, já que o SARS é uma epidemia que tende a morrer sozinha por causa de sua baixa capacidade de disseminação. Naquele momento, os testes sobre o vírus não haviam sido ainda concluídos pelas autoridades sanitárias. Li tomou uma reprimenda do governo local, mas na semana seguinte já estava justificado e recebendo homenagens na própria China. No dia 03 de janeiro, a OMS já havia sido avisada pelos chineses da existência de um novo vírus. Em 07 de janeiro, já se sabia que era uma mutação do coronavírus.

O que aconteceu a partir daí? Alguns países tomaram providências imediatas, como Rússia, Alemanha, Coreia do Sul, Japão. Outros esnobaram o perigo representado pelo Sars-coV-2, como admitiu em entrevista recente Urusula von Deyer, presidente da Comissão Europeia.

Jornais norte-americanos, como o Washington Post, criticavam as medidas de quarentena impostas pela China, chamando-as de ''totalitárias''. Trump declarava ainda em março que tudo não passava de uma ''gripe'' amplificada pelo desejo democrata de parar a economia. Jair Bozó prega contra o isolamento social ainda hoje. No início de março, o Prefeito de Milão fazia propaganda oficial contra a quarentena e a favor do retorno do turismo. O Presidente López Obrador, do México, negou a existência de qualquer problema até semana passada.

Convém lembrar que a própria OMS pedia, no início de fevereiro, para que os países não tivessem nenhuma ''reação exagerada'' à epidemia, que talvez ela não chegasse ao mundo todo, e que os vôos internacionais deviam ser mantidos. Hoje se sabe que havia transmissão comunitária na Europa pelo menos desde janeiro.

Foi a China que avisou ao mundo sobre a existência do novo coronavírus, que proporcionou o modelo de contenção que muitos países -- com hesitações termendas ligadas à fragilidade do Estado e do regime político ocidental -- estão imitando, e que exporta máscaras, respiradores, equipamentos e pessoas para ajudarem no combate à epidemia no mundo.

Quanto ao Ocidente, pelo que sabemos, os EUA estão roubando respiradores e máscaras compradas por outros países, e o Boris Johnson desejava aproveitar a epidemia para promover uma ''imunização de rebanho'' na população britânica.

Já passou da hora do ''Ocidente maravilha'' encarar as reais dificuldades em seu modelo econômico, político, social e em seus governantes psicopatas. Olhar pro próprio rabo pontiagudo, em vez de projetá-lo no outro.

domingo, 5 de abril de 2020

DA [DES]IMPORTÂNCIA DE ATILA IAMARINO PARA ENTENDER POLÍTICA OU ECONOMIA, ou: Ciência ou cientificismo, o retorno do discurso de higienização como instrumento de engenharia social


A mais nova forma do campo político partidário perder tempo é brincar de cabo de guerra em torno do biólogo Átila Iamarino, cuja fama cresceu nas redes sociais por causa de seus vídeos no Youtube voltados para o esclarecimento sobre a epidemia do novo coronavírus.

Por trás da disputa se encontra a ponta do iceberg de um dos grandes perigos dos nossos dias: a ressurreição do batido discurso que confunde política com gestão técnica e cientificista voltada para a engenharia social.

Da justa valorização do discurso científico se dá um salto para o mais tosco cientismo, e daí para a instrumentalização dessa ideologia -- porque embora se venda como ''técnico'', não passa de um discurso ideológico -- em prol de interesses que se ocultam por trás de palavras pretensamente ''neutras'', como ''modernização'', ''razão'' etc.

A crença de que a sociedade inteira pode ser modelada por uma obra de engenharia que segue parâmetros técnico-científicos vinculados ou ao modelo das ciências exatas ou das biológicas tem uma história longa no mundo contemporâneo, é praticamente um viés ou tendência da sociedade liberal -- já que o Iluminismo nada mais é do que a expressão filosófica do desejo de poder absoluto por parte e uma Razão Instrumental Demiúrgica.

Muitos eventos hoje descritos como catastróficos tem origem nesse tipo de transposição chula do domínio científico para o âmbito da ordenação social e política pública, e seria cansativo citá-las uma por uma.

No Rio de Janeiro, a ideia de que a população devia passar por uma ''higienização'' associada à saúde pública e a um conceito de ''civilização'' -- supostamente necessária para que os brasileiros abandonassem costumes, hábitos e ''culturas'' ancestrais tidas por selvagens --, impactou fortemente o tecido urbano e os mais diversos grupos sociais.

A ideologia ''higienista'' se tornou aríete usado para a destruição da memória, para a segregação de camadas imensas da população, para perseguição das identidades populares, para uma política eugenista e racista praticamente oficial, dentre outras barbáries.

A ciência possui um valor incomensurável, mas no terreno que lhe é próprio e, no caso, meramente instrumental. Ela não substitui valores, horizontes culturais, a dimensão própria da política etc. A prática científica oferece alternativas e meios de operação que podem ou não ser usados, ou serão usados em diferentes níveis e graus, de acordo com o projeto que determinado povo tenha, ou a estratégia de sobrevivência e reprodução de determinada formação sócio-cultural etc.

Resumindo: A relevância da posição de um Átila Iamarino, que exemplifica o domínio científico sobre determinada área, sobre a China, sobre os EUA, sobre a política, modelos de sociedade, organização da economia etc. é mínima. No máximo, é uma curiosidade ou um objeto para ser estudado por outras ciências que tentam entender como um sujeito na posição dele percebe e age no mundo. Pode ser, como tudo pode ser, instrumentalizado politicamente por aqueles mais capazes de manipular dado discurso. Mas não tem um peso de verdade para além da opinião.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

2013 e a Crise da Nova República

Centenas de milhares de pessoas tomam a Avenida Presidente Vargas, no centro do Rio de Janeiro, em uma das maiores manifestações políticas da história da Nova República. Os protestos incluíam ataques a símbolos do poder público, confrontos com a polícia e destruição de agências bancárias. A população se insurgia contra o aumento do custo de vida, os gastos insuficientes em serviços públicos, a corrupção generalizada e os mega-eventos turísticas bancados pelo governo. A irrupção popular mantém os próceres da Nova República estupefatos ainda hoje.
Não é possível resgatar coerentemente o nacionalismo popular no Brasil sem uma correta leitura sobre o significado das jornadas de junho de 2013. Os acontecimentos que explodiram naquela ocasião estabelecem um dos melhores critérios para saber quem está, na verdade, disposto a superar o esquema de poder estabelecido na Nova República ou aqueles que desejam, consciente ou inconscientemente, somente uma reedição camuflada do lulopetismo.

Para os defensores do PT 2.0, o momento da história recente do país que serve de parâmetro para suas ações políticas foi o ''golpe branco'' desfechado contra Dilma no processo político de 2015/16. O golpe teria provocado uma ruptura com uma época dourada de democracia e políticas socializantes e nos levado ao domínio de reacionários, direitistas, liberais, agentes da CIA, fanáticos religiosos e fascistas.

Óbvio que essa perspectiva algo radical que desenhei no parágrafo anterior é um ''tipo'' que possui diversos matizes. Muitos filopetistas possuem gradações menos risíveis dos governos Lula e Dilma. Muitos deles fazem críticas ao período de hegemonia petralha, e encaram aqueles anos com um olhar bem mais razoável. No entanto, todos estabelecem o golpe branco de 2015/2016 como um divisor de águas entre duas eras.

Essa narrativa não tem espaço para a irrupção popular de 2013. A mitologia ensinada pela cartilha petista ensina que naquele momento vivíamos o auge da tolerância, da distribuição de renda, da democracia política e do sucesso econômico. Assim, os movimentos de rua que se massificaram e ajudaram a corroer os fundamentos do poder lulista só poderiam ter vindo da direita escravocrata orquestrada com uma agência estrangeira que encarava a hegemonia petista um grande perigo para seus interesses.

Já que a instabilidade de 2013/14 corroeu os mediadores do sistema que eram dominados pela máquina eleitoral do PT, o diagnóstico dos protestos não pode ser outro para os militantes do sapo barbudo: as multidões que tomaram as ruas eram eleitores de Bolsonaro com cinco anos de antecedência.

Não basta mais nada para a construção de uma farsa conspiratória capaz de remodelar até a memória dos que se deixam hipnotizar pela sereia PTelha: o governo Dilma seria desenvolvimentista, sua política externa era um perigo para os Estados Unidos da América, a ascensão das classes mais pobres ameaçava a hierarquia social brasileira. O resultado teria sido uma revolução colorida no país, levada adiante pela CIA nas redes sociais e que com a ajuda da Rede Globo colocou milhões nas ruas naquele mês de junho, e que manteve a chama da rebelião acesa pelo menos até março de 2014, usando slogans contra a realização da Copa do Mundo e o impacto das greves do funcionalismo público.

Um mínimo de discernimento já é suficiente para notar o caráter alucinatório desse discurso, que possui erros factuais e de análise graves, e vai na direção contrária ao que os estudos e pesquisas sobre 2013 produzem. Mas as vítimas do delírio não estão preocupados com esses ''detalhes''. Eles se consideram portadores de uma verdade quase que palpável, e que orienta a construção de todo um projeto político.

A verdade é que o momento inaugural de subordinação do Brasil ao consenso neoliberal foi a eleição de Collor. Mais até, foi a derrota de Brizola para Lula no primeiro turno por apenas meio por cento dos votos válidos. Desde então se consolidou no país uma estrutura de disputa dentro dos marcos do liberalismo dominante.

Essa estrutura era centrada em partidos nascidos em São Paulo, nas teses sociológicas da USP, em uma macroeconomia financeirizada, e na adesão aos princípios norteadores da agenda globalista do Partido Democrata ianque [com uma leve, porém não radical, oposição à agenda mais unilateral do novo século americano, do Partido Republicano]. Os marcos dessa arquitetura política incluíam a inserção do Brasil em uma nova divisão internacional da produção e na importação dos padrões de consumo/costumes definidos pelo cosmopolitismo ocidental.

Eis o esquema que foi mantido, com leves modificações, pelos governos eleitos de 1989 para cá. O PT nasceu e cresceu para ser o lado esquerdo desse modelo, sem que no entanto o desafiasse seriamente em suas linhas principais.

2013 foi o ano em que a arquitetura da Nova República foi abalada, sacudida e desafiada pela emergência do povo COMO ATOR POLÍTICO. Esse abalo estrutural da Nova República continua ainda hoje, seja porque a agência do povo é suficiente para mantê-la em xeque, seja porque existem movimentos organizados que dependem da demolição desse sistema para levar adiante seus projetos.

O fato, porém, é que os mediadores do sistema da Nova República, cujo pacto remonta ao governo de Collor, estão na defensiva. Abriram-se novas possibilidades. Delas podem surgir uma condição melhor ou pior para o país. No momento são piores, pois o ''outsider'' que surfou melhor a onda e cuja narrativa tem predominado foi imã para o pior dos esgotos da sociedade brasileira.

Mas isso não era uma necessidade escrita em 2013. Poderia ter sido diferente. Poderia ter emergido um nacional-populismo de viés trabalhista, o mesmo que foi derrotado com a consolidação da Nova República.

Uma das razões porque Vargas ainda não voltou é que muitos que dizem que querem vê-lo retornar ainda estão apegados ao ''tempo mítico'' anterior a 2013. Muitos sonham na verdade com o ressurgimento da ''pax petista'', que se acotovelava com o PSDB e similares pra executar o mesmo programa neoliberal e globalista que era consenso de todos.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

A brasilidade: considerações étnicas e institucionais, ou: Do Jesuíta Gabriel Malagrida até o Caboclo das Sete Encruzilhadas


''Chegou, chegou.
Chegou com Deus.
Chegou, Chegou.
O Caboclo das Sete Encruzilhadas.''


Ponto do Caboclo das Sete Encruzilhados, em sua primeira manifestação em 15 de novembro de 1908



"Se querem saber meu nome, que seja este: Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque não haverá caminhos fechados para mim."

Caboclo das Sete Encruzilhadas


No Congresso Nacional do Nova Resistência, fiz uma exposição em que defendi que há dois pilares mais gerais de constituição do Brasil.



O primeiro pilar é o da mestiçagem -- que se deu em diversos graus, raciais e culturais -- entre três raízes: a portuguesa, a indígena e a africana. Essas ''raízes'' são como as gunas da matéria prima na metafísica hindu, são tendências da argamassa fundamental de nossa gente, vetores cuja mistura formaram a base de sustentação da brasilidade.


Os principais pensadores e explicadores do Brasil tinham consciência da potência dessa mescla mas a valoravam de modo distinto. Uns a lamentavam, outros tentavam conter seus ''efeitos deletérios'', outros tantos pensavam que uns componentes dessa mescla eram bacanas e outros horrendos.


Houve aqueles, claro, que viram que essa mescla não era ruim, e sim a constituição de um ''povo novo'', diferente de todos os que antes já haviam existido, e destinado a formar uma grande civilização. Essa é basicamente a ordem de ideias de Darcy Ribeiro: da aculturação de portugueses, indígenas e africanos em meio à mestiçagem e à violência do processo colonial se forjou um vazio que foi o berço do brasileiro.


Nem Darcy, desconfio, estava plenamente consciente da profundidade dessas considerações.


Mas um outro tema importante em alguns desses pensadores era o de definir qual dos vetores, tendências ou elementos dessa matéria prima serviu de ponto de equilíbrio da ''fervura'', ou ponto de fundamentação para a formação da brasilidade.


Eu não fico em cima de muro: mais uma vez como Darcy Ribeiro, e um pouco como Capistrano de Abreu e Manoel Bonfim, eu penso que esse ponto de equilíbrio das ''gunas'' das matéria prima brasileira é dada pela cultura indígena.


Isso não significa, como alguns podem pensar, em menosprezar as origens lusitanas ou africanas, porque sem elas nem se falaria de uma matéria prima como base de formação de um povo específico.


E isso também não significa que depois dessa mistureba toda sejamos, no fim, indígenas, porque é óbvio que não somos. Somos é ''indianizados'', ''americanizados''. Os indígenas não precisavam de maiores adaptações para viver na América, como não precisam ainda hoje em dia. Os outros povos que aqui chegaram sim precisavam aprender e adotar as adaptações indígenas. O que tem a ver com o papel exercido pela terra, que no caso é a América, na conformação dos povos.


Talvez, melhor do que dizer ''indianização'' seja falar de ''acaboclamento'', já me apropriando de um conceito de Luiz Antônio Simas em outra situação e amplitude. O ponto médio ou eixo de equilíbrio dessa mescla original foi acaboclamento. A brasilidade é, em algum grau, cabocla no sentido de incorporação existencial das deidades da terra.


[isso me faz pensar em alguns movimentos gaúchos que pensam que não são brasileiros. Como não, se os pampas são acaboclados?]

Padre Jesuíta Gabriel Malagrida foi missionário entre aldeias indígenas na Amazônia na primeira metade do século XVIII, e ensinou Teologia e Filosofia em São Luís do Maranhão. Também pregou em Recife e Salvador. Foi preso pelo governo iluminista do Marquês de Pombal porque se opôs à explicação racionalista e naturalista que o governo deu ao grande terremoto que atingiu Lisboa em 1755. Segundo o Padre, a causa do sismo era a Ira Divina. Foi morto como herege. O Caboclo das Sete Encruzilhadas diz ser ''reencarnação'' do Jesuíta Malagrida. 


O segundo pilar de modelação do Brasil é sócio-institucional. E aí falamos do papel das instituições portuguesas, principalmente do Estado Imperial, ou então do peso da Igreja Católica ou do sistema escravista.


Assim como as raízes étnicas, todas essas instituições foram determinantes na modelação do nosso país, umas com maior ou menor força. O Estado, por exemplo, foi estabelecido de cima para baixo por uma elite que olhava para fora do país e não se percebia como parte da América do Sul. O que não significa que o Estado, por inteiro, não tenha nada a ver com o imaginário do povo que as elites negavam.


No entanto, estou do lado aqueles que consideram que a instituição mais determinante na formação do Brasil foi o escravismo. Se existe um elemento que podemos considerar deletério, uma herança do passado que é, no fundo, extremamente presente, e que macula e obstaculiza a realização plena das potencialidades da nossa Pátria, ela é a escravidão.


Gilberto Freyre percebeu intensamente esta questão, embora eu discorde dele em diversos outros pontos. Florestan Fernandes, com quem tenho também sérias divergências, também estava correto quanto à sobrecarga da escravatura. E Jessé Sousa, mais recentemente, acertou em cheio ao dizer que o berço do Brasil [talvez não o berço, mas com certeza o principal processo dinamizador das formações institucionais] não estava em Portugal [nem na cultura, nem nas instituições lusitanas], mas no sistema escravista.


O escravismo brasileiro é anti-tradicional, construído em torno de determinado sistema-mundo comercial primeiro centrado em torno de Amsterdã e depois de Londres. Ele é que forjou uma elite litorânea que olha para fora e não se sente parte do povo brasileiro. Os traidores que escolheram não ser parte do nosso país, e sim elos do processo de espoliação a que se referia Brizola.


Somos caboclos lutando por independência e liberdade.


sexta-feira, 22 de novembro de 2019

ALIANÇA PELO BRASIL, ou: O Pinochetismo olavético-udenista

Com Carlos Lacerda era ''Aliança para o Progresso", que a UDN via como o "Plano Marshall'' para a América Latina.  Na época, o então Governador da Guanabara removeu favelas da zona sul da cidade do Rio de Janeiro. As populações foram deslocadas para o então distante bairro de Bangu -- hoje um dos mais populoso do município, contando quase 300 mil habitantes --, onde formaram as atuais favelas de Vila Kennedy e Vila Aliança, ambas adornadas pela Estátua da Liberdade em sua praça principal
Bozó está tentando criar um movimento e institucionalizá-lo na forma de um partido. Não se sabe se a legenda vai mesmo sair e quando é que cumprirá os requisitos necessários para que seja legalizada. Mas o programa já foi lançado. O nome é significativo: "Aliança pelo Brasil'' recorda muito a velha "Aliança para o Progresso'', com a qual Kennedy queria espantar o fantasma do socialismo da América Latina e foi muito bem recebida pela UDN no Brasil.
O programa da reedição da Aliança é quase que um manifesto do que significa o bolsonarismo. Vamos destrinchar o Frankenstein:

1) O bolsonarismo apresentou sua certidão de nascimento, se declarando filho da crise de representatividade no sistema político brasileiro. Ele oferece uma interpretação sobre a vitória do 'Não' no referendo sobre o desarmamento, em 2005, e, principalmente, nas jornadas que se iniciaram em junho de 2013 e desembocaram, nos anos seguintes, na consolidação do discurso udenista/lavajatista/anti-corrupção [1].
A crise de representatividade seria causada pelo domínio de um "estamento burocrático", os verdadeiros ''donos do poder'' no país. Os bozós se apropriam, dessa forma, do conceito de patrimonialismo de Raymundo Faoro.
Os ''donos do poder'', o estamento que comanda o Estado patrimonialista, seria uma mistura de velhas oligarquias políticas que se tornaram cúmplices de um movimento comunista internacional cujo escopo é revolucionar o país por meio do globalismo.
Jair Messias teria chegado para ''dar voz ao povo'' e impedir essa revolução. O movimento se assume como reacionário e conservador.
Assim, o programa do "Aliança pelo Brasil'' confirma parte das análises de Jessé Souza, que desde o impeachment de Dilma, em 2016, denuncia a função que o conceito de "patrimonialismo'' exerce como meio de mobilização da direita liberal-conservadora brasileira. Há pitadas aqui e ali do discurso de Olavo de Carvalho, mas ele se torna mais forte nos próximos pontos.


Vila Kennedy, inaugurada em 1964 com a remoção de comunidades da Favela do Pinto e do Morro do Pasmado -- respectivamente na Lagoa e em Botafogo -- é hoje uma das comunidades mais violentas da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Possui 45 mil habitantes. Segundo o IBGE, mais de 62% deles vivem como até um salário mínimo [contra 37% da média da cidade]. Do lado da comunidade existe o Complexo do Gericinó, maior conjunto de presídios do Estado do Rio

2) Depois de estabelecer sua origem e propósito em uma reação ao fracasso da representação política na Nova República, contra o patrimonialismo e contra o comunismo internacional, o programa do partido assume a defesa da ''identidade, tradição e cultura'' do Brasil.
A Nação possuiria uma unidade histórica, religiosa, de valores e de língua cujo fio condutor é a ''tradição judaico-ocidental'', uma abordagem nitidamente neoconservadora, ainda que use jargões levemente integralistas -- numa tentativa de atrair ''bois de piranhas'' ou de fazer concessões aos que já se encontram gravitando em torno da titica --, e que estão em flagrante contradição com outras passagens do programa.
Não há qualquer discussão sobre pluralidade étnica, regional e cultural dentro do país. A religião é identificada genericamente com o cristianismo, ''patrimônio comum de nosso povo''. As ''origens lusitanas'' são citadas em um contexto maior de adesão ao Ocidente, e não de um possível mundo ibérico ou iberista. O texto reverbera pronunciamentos de Ernesto Araújo, que por sua vez derivam de Olavo de Carvalho [2].
O programa adota uma perspectiva de guerras de valores que não está preocupada com as raízes das mudanças culturais do ''globalismo''. As ideias subjacentes são, no fundo, importações da noção de ''marxismo cultural'', ainda que o conceito não esteja citado explicitamente. O bolsonarismo ataca o aborto, a pedofilia e a ideologia de gênero. Também há apoio ao porte de armas e ao homeschoolling. Uma plataforma que seria assinada sem estranheza pelo GOP.
Essas formulações vem acompanhadas por uma visão precisa do papel do Estado. Em primeiro lugar, ele existe para manter a ordem e as normas jurídicas que convém a determinado tipo de brasileiro, ''o cidadão empreendedor, gerador de empregos, e o cidadão pagador de impostos, que carrega o custo do Estado nas costas.'' É um Estado voltado para o "homem de bem", que nada mais é do que o burguês.
Para isso, seria necessário valorizar as FFAA e os policiais, com os quais o país teria um "débito". Uma das formas de pagá-lo é assegurando condições para que essas forças desempenhem bem o seu trabalho, dentre os quais o combate à criminalidade urbana e ao narcotráfico. É o lado Witzel do bolsonarismo, com o adendo de que se fala explicitamente em deixar de lado o ''garantismo jurídico'', que só se sustém porque os socialistas e o "estamento burocrático'' já citados estariam impedindo a representação da vontade popular [3].
Por fim, o papo de ''recuperação da unidade linguística'' e das raízes cristãs, além de parágrafos com uma redação pra atrair integralistas, desaguam na defesa da aproximação com movimentos conservadores dos Estados Unidos, Reino Unido e Israel, dentre outros citados. Ora, os maiores partidos conservadores desses países são trincheiras de defesa do atlantismo e do ocidentalismo. Como cita também Itália, Hungria etc, há nessa passagem uma óbvia influência de S. Bannon [4].


3) O telos de toda essa bazófia, óbvio, é o livre mercado. O bolsonarismo é capitalista e neoliberal até a raiz, pelo visto, e ''se empenhará para que sejam reduzidos e, quando possível eliminados, os controles e as interferências estatais sobre a economia''. Desse modo, para combater o comunismo e o tal patrimonialismo oligárquico, o "Aliança pelo Brasil'' entrega o país à Banca.
Apesar de citar, num fim de parágrafo, o papel do pequeno proprietário e do princípio da subsidiariedade, bem como da visão católica-romana do valor do trabalho [pra atrair os buchas de canhão de sempre, já que não há qualquer análise do caráter deletério do capitalismo, da financeirização da economia e do liberalismo], o foco é a livre empresa e o Estado Mínimo -- desregulado, sem papel na economia, que é deixada para a ''livre criatividade'' dos indivíduos e das forças de produção [5].
Junto com a concepção de um Estado Militar voltado pra proteção do burguês, essas passagens do programa dão um ar ''pinochetista'' ao programa bozó, bem apropriado à sua adesão à tal ''civilização judaico-cristã'' do neoconservadorismo ianque-sionista.
O Bolsonarismo é isso: o cerne é um pinochetismo à brasileira, com grande peso de udenismo e uspianismo. Os adornos vem de um verniz religioso para melhor atrair conservadores de diversas vertentes, cujas ideias principais se chocam com o núcleo que citei e entram apenas como base de apoio e pau pra toda essa obra do capiroto [6].
________________________ [1] A crise de representatividade é real. Antes mesmo de junho de 2013, o próprio PT fazia esse diagnóstico, com os mesmos instrumentos uspianos que mais tarde foram brandidos pela direita liberal, e que implicam numa colonização do pensamento da nova esquerda pela mesma matriz intelectual conservadora estrutura e divulgada pela USP. O ponto crucial é a narrativa que o liberal conservadorismo construiu sobre os eventos que expuseram o processo disruptivo, monopolizando cada vez mais a sensibilidade popular diante do imobilismo de uma esquerda que se encontrava acuada nos palácios do poder enquanto aplicava a agenda do cartel de bancos e da FIESP.

[2] A ideia de participação do Brasil em um Ocidente judaico-cristão pode ser melhor vislumbrada nos textos de Ernesto Araújo, para quem Trump seria o ''salvador da civilização ocidental''. Apesar do viés religioso, da busca por legitimação nos patrimônios de Grécia e de Roma, toda a abordagem se amolda a concepções do conservadorismo anglo-saxão. O eventual uso de temas caros a integralistas, católico-romanos e outros nacionalistas ou militantes religiosos são adendos a esse pilar discursivo.

[3] Existe, portanto, uma tentativa de "manipulação'' dos sentimentos anti-comunistas do antigo generalato das Forças Armadas a partir da figura de uma luta perene contra o comunismo internacional. A aproximação com os aparatos policiais também reverberam antigas conexões nascidas nos porões do aparato de repressão do regime civil-militar, que conectaram essas instituições com organizações criminosas que atuavam nos jogos de azar, na prostituição, no contrabando, em esquadrões de morte e, finalmente, no tráfico internacional de drogas. Essas tendências se desenvolveram no atual fenômeno das milícias fluminenses, cadas vez mais poderosas em todo o Brasil. O programa neoliberal, por sua vez, jamais poderia ser instituído sem um forte componente de repressão aos pobres e de criminalização de movimentos sociais.

[4] Bannon, retratado por alguns desavisados como um ideólogo neofascista, nada mais é do que o intelectual orgânico de um movimento conservador devotado à preservação do império dos EUA em sua configuração nacionalista assumida durante a Guerra Fria, e por oposição ao Império globalista, cosmopolita e financeirizado defendida pelas elites mais vinculadas ao Partido Democrata.

[5] Como feito anteriormente, princípios católico-romanos, no caso da Doutrina Social da Igreja, são citados como meros adendos ou concessões discursivas ao cerne do que está sendo proposto e em flagrante contradição com esses próprios princípios. Ou, abordando de outra maneira, é uma maneira imprópria, liberal e capitalista, de ler princípios expostos pela DSI. O eixo do texto está no Estado Mínimo e na atividade econômica desregulada, que é a exigida pelo neoliberalismo financeiro atual e que tem por principal consequência o primado do rentismo sobre a produção e a precarização das relações trabalhistas, além da consolidação de uma nova divisão internacional da produção e do trabalho.

[6]Para o uso de movimentos de terceira teoria política para propósitos vinculados ao imperialismo ianque e a difusão da globalização financeira, veja o seguinte vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=vJrpSaEb1zI ["A Terceira Teoria Política morreu: Rumo à Quarta Teoria"]

domingo, 10 de novembro de 2019

LULA ESTÁ SOLTO, ou: o momento do PT explicar seu neoliberalismo, ''udenismo'' e anti-trabalhismo




''Como os exemplos mostram, da direita à esquerda, a sociedade brasileira é colonizada por uma mesma interpretação. [...] Para mim, esse sucesso tão acachapante reflete a vitória do liberalismo conservador entre nós, levando à colonização, inclusive, do pensamento crítico e de ''esquerda'' no Brasil''.

Jessé Souza, "A Elite do Atraso''





Pergunta aos petistas.


Quando Lula estava preso, eles diziam que ''não era o momento de fazer críticas ao PT''. Mas e agora que ele está solto?

Que tal enfrentar a realidade e responder por que tanto no poder quanto em sua ascensão rumo ao Palácio do Planalto, a Era PT foi marcada pelas seguintes características:




1) A ''financeirização'' da economia brasileira', com a consolidação de um cartel de bancos que praticava o juros mais extorsivos do mundo [1];


2) Tripé macro-econômico de Armínio Fraga, âncora do neoliberalismo do país [2];


3) Entrega da economia nas mãos do liberal Henrique Meirelles, um funcionário do Banco de Boston;


4) Dependência de commodities para segurar as contas externas [3];


5) Desindustrialização do país, construindo o período de pleno emprego da Era Lula em serviços de baixa qualificação, a famosa ''economia de shopping'', ou seja, baseada em crédito farto, endividamento das classes populares, e empregos precários [4];


6) Prda de sofisticação da indústria e surto de empregos de baixa qualidade, levando à estagnação da produtividade;


7) Diante dos aumentos de salário mínimo em um cenário de perda de produtividade da economia, crescimento de uma inflação de serviços que pesou nos ombros das classes populares;


8) Avanço da terceirização nas empresas públicas, na saúde e na educação [5];


9) A política social mais famosa do governo, o Bolsa Família, era copiada da Escola de Chicago, um dos maiores símbolos do neoliberalismo e de onde saiu Paulo Guedes [6];


10) A desigualdade social estrutural do país não diminuiu nos governos do PT. Quem mais ganhou foram os 10% mais da pirâmide de renda do trabalho [7];


11) Realização de reformas da previdência, trabalhistas e previdenciárias sempre que exigido por banqueiros e empresários [8];


12) Desoneração da folha de pagamento segundo exigindo pela Fiesp, com isenções de impostos que levaram o país a uma crise fiscal sem precedentes [as "reformas" liberais, a partir de então, são impulsionadas porque a FIESP se recusa a ''pagar o pato''] [9];


13) Desmobilização dos sindicatos e do MST para reduzir a confrontação política aos períodos eleitorais [10];


14) Perseguição violenta das insurreições populares que explodiram no Brasil em 2013 e 2014 e reivindicavam maior e melhor presença do Estado nos serviços públicos, chegando até a uma lei antiterrorismo e a prisões arbitrárias [11];


15) Concessão de poder de investigação ao Ministério Público, criando o monstrengo que se voltaria contra o próprio partido e contra o país [12];


16) Aliança com o partido democrata dos EUA, o mesmo que investigou em massa o governo de Dilma Roussef e se aliou á Força Tarefa de Curitiba pra atacar as instituições brasileiras e permitir a ascensão do liberalismo no sistema partidário [13];


17) Adotou uma postura udenista, com discurso moralizante anti-corrupção, em toda a sua história, não se diferenciando o mais patético e tosco fiel de Serginho do Mal, vulgo Moro [14];


18) Ausência de Reforma Política, Reforma Tributária e de uma mudança no financiamento público, para reduzir a dependência da dívida pública;


19) Ausência de Regulação da Mídia para diminuir o poder das grandes corporações e famílias ligadas ao rentismo, como a Rede Globo e o Grupo Folha/UOL [as famílias Marinho e Frias, que comandam esses grupos, estão entre as 15 de maior fortuna no país segundo edição de setembro da Revista Forbes];


20) Nunca auditou uma dívida pública, cujos credores são mantidos em segredo pelo Banco Central e tem ares de fraude;


21) Nunca realizou qualquer acordo que não tivesse o objetivo de manter sua hegemonia no campo da esquerda, ainda que para isso precisasse mentir para o eleitorado [''Lula 2018'', ''Lula 2022''], trair aliados e permitir a ascensão de Bozó e outros liberais;


22) Sempre vilipendiou a ligação entre líder e massas para além dos limites partidários, fazendo eco das acusações da USP ao Trabalhismo [chamado de ''populismo''], pra depois se agarrar ao lulismo messiânico e sectário [15];


23) Criticou durante toda sua história a figura e ação política de Getúlio Vargas para agora tentar se colocar, por pura conveniência, na tradição do nacionalismo popular do fundador do Trabalhismo;


24) Se aliou com o que há de mais podre na política brasileira: Temer, Cabral, Cunha etc., corruptos notórios, alguns deles ligados a máfias da jogatina;


25) Se aliou com a banda mais podre e mafiosa das lideranças evangélicas, que hoje dão sustentação ao governo de Bolsonaro: Edir Macedo e Silas Malafaia [16];


26) Atacou, sem dó nem piedade, a moralidade popular ao se abraçar à militância identitária pós moderna que gostariam de transformar o país em um puteiro de drogadicção, rufianismo e anti-cristianismo [17];


27) Foi leniente com a violência urbana e a consolidação do país como um dos maiores consumidores de drogas do mundo [18];


28) Tornou o aborto e a ideologia de gênero em dogmas a ser impostos a uma população que discorda visceralmente de ambos [19];


29) Escolheu para o STF gente fanática, sem fibra moral e pilantras notórios [20];


30) Fez questão de alienar as Forças Armadas com uma ''Comissão da Verdade'' que não acrescenta em nada para o ambiente político e a história do país [21].


Os pontos incômodos listados acima mostram que, não importa o que Lula e as lideranças petistas digam, nunca foram, de fato, alternativas reais ao sistema neoliberal hegemônico na Nova República. Tanto seus discursos quanto suas ações políticas estavam contaminadas desde o início e até a raiz por uma perspectiva pequeno-burguesa, liberaloide e "californiana''. 


Como dizia Leonel Brizola, o PT cacareja muito pra esquerda, mas coloca ovos para a direita. Seu compromisso é com o consenso e o status quo atual, e sua história e anos no poder são a demonstração inequívoca disso.


O PT e Lula são mais do mesmo.






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[2] “Esses dados estatísticos reforçam evidências históricas sobre a continuidade macroeconômica entre os governos FHC e Lula. Ainda durante a campanha eleitoral de 2002, quando a banca internacional temia uma radicalização a esquerda de Lula, todos os principais candidatos assinaram um compromisso de manter os acordos firmados e defender a estabilidade. Como relata o recente livro de Matias Spector sobre a transição dos governos FHC para Lula, o presidente tucano se esforçou para convencer a banca internacional de que Lula não promoveria o caos econômico nem daria o calote na dívida.  Daí resultou uma dobradinha entre o então ministro da fazenda Pedro Malan e seu sucessor, Antônio Palloci. Em janeiro, não por acaso, seria anunciado o novo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, tucano e totalmente alinhado ao tripé macroeconômico e respeitado pela banca internacional.” http://mercadopopular.org/economia/se-o-tripe-e-neoliberal-lula-e-o-campeao-de-neoliberalismo-brasil/




[6] “O fato mais conhecido desse enredo foi a súbita apropriação da política macroeconômica de Fernando Henrique Cardoso (excomungada e rotulada pelo PT de neoliberal) pelo ex-presidente Lula desde o primeiro dia de seu governo, em 2003. Mas há outros, e vou tratar aqui de três: a privatização, a autonomia do Banco Central (BC) e o programa Bolsa Família. Os três foram gerados em ventres liberais[...]’’  https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,o-neoliberal-bolsa-familia-imp-,1092644

[7] “[A] Era petista aumentou a concentração de renda do trabalho. Tanto a faixa da pirâmide dos 1% quanto a dos 10% mais aumentaram sua participação na riqueza nacional. Os 50% menos também ganharam, é verdade, mas em proporção menor do que os escalões mais ricos. Quem perdeu foram os 40% que se situam entre os 50% menos e os 10% mais. Conclusão, o fosso social aumentou. No fim das contas, a participação conjunta dos 90% mais pobres decresceu de 45,7% para 44,4%. As dos 10% de maior renda aumentou de 54,3% para 55,6%.” https://portaldisparada.com.br/economia-e-subdesenvolvimento/desigualdade-aumentou-governos-pt/




[11] “Entre as lei aprovadas se destaca a de antiterrorismo, sancionada pela ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) às vésperas dos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. "A gente tem uma lei que tem conceitos extremamente vagos, genéricos e que traz penas altíssimas. Quem vai decidir e compreender o que é provocar pânico e terror social? Sabemos que quem vai aplicar essa lei são os membros de Sistema de Justiça, marcado no Brasil por uma ação criminalizadora e repressora", argumenta Marques. Outra legislação citada pela advogada da Artigo 19 é a que proibia bandeiras e cartazes que não fossem manifestações "festivas e amigáveis" nos espaços dos jogos da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. "O que é isso e quem vai decidir o que é festivo e amigável?", questiona ela, que ainda fala em legislações municipais e estaduais antivandalismo e que proíbem o uso de máscaras, por exemplo.

A organização também argumenta que, desde Junho de 2013, "marcado por uma total brutalidade e violência do Estado", as polícias militares dos Estados aprimoraram seus armamentos e sofisticaram suas táticas de repressão, com canhões sônicos, blindados israelenses, trajes Robocop, veículos com canhões de água, além do uso contínuo e indiscriminado de balas de borrachabombas de efeito moralcassetetes e spray de pimenta. Essa parte do estudo é baseada principalmente em percepções colhidas nas ruas, nos locais de protesto.”  http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/579907-o-cerco-legal-as-manifestacoes-como-um-duro-legado-de-2013



[14] “[O] discurso petista em 1989 começou a delinear aquelas que seriam marcas do partido por muito tempo: a crítica ao funcionamento do Estado, marcado por práticas de corrupção e favorecimento dos interesses privados, sem, no entanto, negar sua importância como regulador das relações sociais, e a proposta de uma nova ética na política. [...] As críticas do PT também se voltaram para o trabalhismo, visto como herança atrasada da Era Vargas a ser superada[...]” Américo Freire e Alessandra Carvalho, “As eleições de 1989 e a democracia brasileira: atores, processos e prognósticos”, em: O Brasil Republicano. O tempo da Nova República. Da transição democrática à crise política de 2016


[15] “Este artigo analisa a tática política adotada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) na conjuntura de crise do governo Collor (1990-1992). Considera-se que o PT não tenha fugido à tendência dominante do movimento pró-impeachment, vindo a aderir à campanha pela ética na política e a atacar o presidente Collor a partir de um discurso de cunho moralista que menosprezou a crítica e a denúncia do caráter de classe da política neoliberal, satisfazendo-se apenas com a denúncia da política recessiva do governo.” http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-62762010000200010




[19] “ Lula disse que o debate em torno da legalização do aborto é uma “questão de saúde pública”. O presidente criticou a hipocrisia que não diferencia as situações que envolvem as mulheres ricas e as pobres.
“Não se trata de ser contra ou a favor [ao aborto]. Mas de se discutir com muita franqueza porque é uma questão de saúde pública. Se perguntarem quantas madames vão fazer aborto até em outro país? E as pobres que morrem na periferia? Não se trata de ser contra ou não. É preciso que se faça o debate”, disse o presidente.” https://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/lula-e-o-aborto/