"Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta
Estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito
É uma navalha"
"Brasil", de Cazuza, George Israel e Nilo Romero
Nem um cigarro
Fiquei na porta
Estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito
É uma navalha"
"Brasil", de Cazuza, George Israel e Nilo Romero
Acordamos todos estupefatos ao saber que Monique Medeiros não apenas pagou sua pena com a sociedade no caso do assassinato de Henry Borel.
Descobrimos que é a sociedade brasileira -- eu, você, todos nós -- que devemos desculpas a Monique.
A juíza Elizabeth Machado Louro entende que a mãe até pecou por "omissão" diante dos maus tratos que o sociopata Jairinho, sentenciado a 43 anos, proporcionava ao seu filho de 4 anos de idade.
Mas se tornou vítima da nossa reação desproporcional, já que todos os fatos, ainda segundo a magistrada, são "favoráveis" à pobre mãe.
Os brasileiros saímos condenados do tribunal. Massacramos Monique nas redes sociais, e ainda criamos expectativas bisonhas de que uma mulher tem de ser uma "mãe perfeita" [leia-se: não deixar o companheiro torturar e matar de porrada o filho de quatro anos de idade.]
A sentença da juíza Elizabeth declara que, se Monique fosse homem, sequer seria processada. Todo o escândalo em torno dela nada mais é que misoginia, preconceito de gênero, fruto de uma sociedade corroída pelo nefasto Patriarcado.
Como homem, tenho até medo de me pronunciar contra Monique Medeiros, para não cometer nenhum crime de ódio. Todo cuidado é pouco para não causar ainda mais dano psicológico contra essa mulher, crime que pode levar a dois anos de reclusão, certamente sem perdão judicial.
Vítima de Jairinho, do Patriarcado, e da Justiça, talvez Monique devesse processar a Prefeitura do Rio, que a exonerou do cargo de professora. Por que o Município tomou essa medida radical? Seria machismo?
Eis os valores que as instituições -- os partidos políticos, os tribunais de justiça, o arcabouço jurídico, as universidades públicas -- consolidaram no Brasil.
Um país que permite tribunais raciais em concursos públicos, punitivista ao extremo contra qualquer pronunciamento contrário à sensibilidade de certa esquerda hegemônica, de uma democracia tutelada por juristas ''iluminados'' que visam precaver qualquer obstáculo popular contra a marcha da distopia reinante.
Monique Medeiros está livre. A sociedade brasileira foi condenada por misoginia, patriarcalismo e outros rótulos retirados do dicionário da esquerda cosmopolita e americanizada.
Há uma incompatibilidade explícita entre a hierarquia de valores nas instituições, e o sentimento de Justiça mais básico vigente no povo brasileiro.
Trocando em miúdos, o Brasil ''oficial" não nos representa. Estamos exilados, ainda que permanecendo em território nacional; e perplexos porque os donos das instituições ainda ousam falar em nosso nome.
Nada do que aconteça daqui para frente nesse caso vai apagar o dia de hoje. Em que o Estado, na voz da juíza Elizabeth, perdoou uma mulher condenada por júri popular pelo homicídio [culposo] do filho de 4 anos, alegando que nós, brasileiros, a fizemos sofrer demais com nossas críticas.
Tenham um bom dia, brasileiros.
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