segunda-feira, 26 de outubro de 2026

A VITÓRIA DE LULA NÃO É A VITÓRIA DO BRASIL, ou: Quem vota em Lula, vota em Bolsonaro; e vice-versa

Aviso aos navegantes: O novo mandato do lulopetismo não expressa uma conquista do Brasil, sua vitória eleitoral não protege a democracia, não representa os interesses dos trabalhadores, e será incapaz de defender a soberania nacional.



Antes que me confundam, votei e pedi voto nulo no segundo turno. No primeiro, fui de Rui Costa Pimenta [do PCO]. Minhas declarações foram públicas, estão em postagens publicadas em pelo menos duas redes sociais, e em duas lives nas três últimas semanas.


Nesse blog, há um texto em que contesto o apoio da direita a Flávio, dizendo que um governo dele seria parecido com o poder da Alerj [Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro], um exemplo notório de Narco-Estado.


Fiz oposição ferrenha a Jair Bolsonaro. Eu o chamava de Bozó e Mentecapto-Mor, apelidava seu governo de Reino dos Bozós. Pedi impeachment ainda em 2019. Desde 2020 avisava que ele articulava um golpe de Estado, mas que falharia porque o Exército não compraria sua briga, uma análise que se mostrou acertada. Minha avaliação do 08 de janeiro de 2023, publicada no mesmo dia dos acontecimentos, era de que se tratava de um evento golpista e que os envolvidos tinham de ser presos, incluindo o próprio Bolsonaro.



Flávio teria minha oposição caso tivesse vencido as eleições. Mas quem venceu foi Lula, que é Governo desde 2023, e cujo partido domina a Nova República desde 2002. Nesse período, o PT só perdeu uma eleição presidencial, em 2018, e por cálculo do próprio Lula, que preferia entregar o poder a Bolsonaro do que perder a hegemonia do campo de esquerda.


Não há qualquer sentido, portanto, em se considerar oposição aos rumos do país na última geração, se declarar contrário ao neoliberalismo, à americanização da política brasileira, à polarização ideológica copiada do modelo ianque, à financeirização da economia, ao avanço do crime organizado, ao cartel bancário etc. , e comemorar a vitória de Lula em 2026.


Nem mesmo a cartada de defesa da democracia é minimamente crível. O adversário de Lula tinha por principal "arma" a vitória nas eleições para o Congresso, não o Exército, as polícias, as milícias, ou qualquer outra instância capaz de articular um Golpe de Estado.



Pelo contrário, é Lula quem se encontra no poder, ele é quem fez uso explícito da máquina pública na reta final de campanha, quem contava com apoio da grande mídia liberal [Organizações Globo, UOL, Estadão etc.], e se fazia defensor de um modelo de governo que dá poderes excepcionais ao Supremo Tribunal Federal, cujos Ministros estão às voltas com denúncias de corrupção, fazem as vezes de articuladores partidários, e se dizem tutores da democracia, intervindo às claras no processo político.


Outra cartada possível dos defensores de Lula é a defesa da soberania nacional. O bolsonarismo sempre foi um patriotismo de goela. Em 2018, avaliei que o núcleo duro dentro do castelo de poder bolsonarista eram agentes filo-americanos e sionistas.


Minha avaliação não mudou esse ano, e dias atrás critiquei movimentos nacionalistas, como os russófilos da NR e seus aliados, que se abraçavam a Flávio desconsiderando que ele era o representante do sionismo no Brasil. O apoio de Trump, o artífice de uma nova Doutrina Monroe, dá a medida do quanto o bolsonarismo é um pseudo-nacionalismo.




Mas Lula não é muito melhor. Seu governo tornou as universidades públicas em cópias pioradas da USP, meros elos de correntes que grassam na esquerda californiana. Sua militância cristaliza o domínio ideológico do identitarismo estadunidense em uma parte imensa da juventude, e é usada para moldar o arcabouço jurídico e criminalizar opiniões e posicionamentos contrários.


Os apoios que Lula busca para derrotar o bolsonarismo são correntes ou alas do establishment político ianque e da UE: o social-liberalismo do Partido Democrata, a Social Democracia europeia. Lula e Bolsonaro não passam de dois modos diferentes de se associar ao imperialismo e à hegemonia ideológica dos EUA.


Críticos do bolsonarismo apontavam ainda outras características de seu movimento, como a flexibilização das leis trabalhistas, o fiscalismo, os perigos para a Previdência. Por razões óbvias, todos esses argumentos podem ser usados igualmente contra Lula, cuja biografia está entrelaçada com a consolidação de mecanismos de austeridade fiscal, de independência [de fato] do Banco Central, e de reformas previdenciárias.



Na mesma campanha em que Lula criticava retoricamente o anúncio de um "tesouraço" por Flávio, sua equipe econômica se reunia com próceres do "mercado financeiro" para estipular reformas e programas de rigoroso ajuste fiscal, que incluem revisões das despesas obrigatórias, de vinculações e indexações constitucionais, e de reforma administrativa.


O PT explorou o verde-amarelo nessas eleições, como se sua militância não tivesse execrado as cores nacionais nos últimos anos, chegando a sugerir mudanças no uniforme da seleção brasileira. Colocou também sua militância para cantar o Hino da Independência na Avenida Paulista, como se seus seguidores não copiassem as pautas do beatiful people de Nova Iorque e San Francisco.


Lula derrubou sua última diferença notável parar o bolsonarismo. Agora também pode ser chamado de "patriota de goela".




Não existirá qualquer saída para a pseudo-polarização que permite o domínio do cartel bancário enquanto os brasileiros, incluindo aqueles que pedem continuamente a superação dessa dicotomia em prol de um projeto de união e de desenvolvimento nacional soberano nos âmbitos econômico e cultural, decidirem se abraçar a um dos lados na hora das eleições.


Como denuncio há anos, lulopetismo e bolsonarismo se retroalimentam. Não existe possibilidade de votar num deles contra o outro. Quem vota em um, está votando também no outro, ainda que fantasie algo diferente.

Nessas eleições, O lulismo levou o Executivo, o Norte e o Nordeste. O bolsonarismo é a força dominante no Legislativo, e no Centro-Sul. Lula se rodeou de Janja, André Janones, Ana Elisa, Flávio Dino, Zanin, Alckmin. O bolsonarismo tem Nikolas, Pavanato, Tarcísio, André Mendonça, Michelle.

E o Brasil? O Brasil perdeu de novo.


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