segunda-feira, 6 de abril de 2026

OS PIROMANÍACOS E O FIM DO NOSSO MUNDO

"Quem é o escravo fiel e sensato, que o senhor pôs à frente da sua criadagem para que lhes desse de comer à hora própria? Feliz é aquele escravo a quem o Senhor, chegando, encontrará procedendo assim. Em verdade vos digo que o porá à frente de todos os seus bens. Mas se o mau escravo disser no seu próprio coração, 'o meu senhor está demorando', e começar a bater nos seus colegas escravos, a comer e a beber com os embriagados, virá o senhor desse escravo no dia em que ele não o espera e à hora que ele desconhece; e ira cortá-lo ao meio e dar-lhe um lugar com os hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes."

Evangelho de Nosso Senhor, Deus e Salvador Jesus Cristo segundo o Glorioso Apóstolo e Evangelista São Mateus, capítulo 24, versículos 45 a 51



O piloto do F-15 abatido era uma isca para os dois lados. Não sei se foi de fato resgatado, e se falamos só de um ou dois pilotos. Mas é quase que irrelevante para a dinâmica da guerra. O evento proporcionou aos EUA a tentativa de infiltrar tropas especiais no Irã com apoio do poder aéreo. Eis seu caráter mais fundamental, e também seu maior fracasso.


O Irã mobilizou a população e o sistema de defesa contra a operação "de resgaste". Há denúncias de que os ianques abriram fogo contra a população civil, e que bombardearam suas próprias tropas em solo. O fato nu e cru é que tiveram a dimensão do quão custosa seria uma invasão desse tipo.

Definitivamente, não veríamos nada parecido com uma nova Venezuela.

Os ianques podem insistir, mas aí estamos falando de meses e meses de conflito, que impactariam a economia mundial, levando-a ao colapso, demoliria o MAGA, e levaria à derrota nas midterms.

Como Trump é muito mal aconselhado, é possível que enverede por essa estrada. Mas há outros cenário possíveis, todos muito ruins em escala crescente. Tudo depende do poder dos Piromaníacos, cujo maior símbolo é Pete Hegseth e sua trupe de evangélicos aceleracionistas, cuja missão é tornar o mundo aprazível para o anticristo, imaginando com isso forçar o retorno de Jesus.

Restam duas opções para Trump, além da invasão por terra. Ambas terminam em desastre, mas em níveis diferentes.

A primeira, é tornar público que aceita de alguma maneira as condições do Irã. Pelo menos a principal delas: o controle do Estreito de Ormuz. E que vai pressionar Israel para sair da guerra e do Líbano. Digo tornar público porque o Irã cortou todas as negociações mediadas com os EUA. Isso quer dizer que os ianques já não podem mais fingir que venceram, dar as costas fazendo alguma dancinha, e irem embora. Essa janela de oportunidade já se fechou há pelo menos uma semana.

Desnecessário detalhar o custo político de uma admissão tão grande de derrota. Seria desastroso para Trump internamente. Seria pior ainda para os EUA externamente. E, no entanto, essa seria a opção menos deletéria, menos traumática.

Se os Piromaníacos tiverem força o suficiente na Casa Branca, como parece que tem no Pentágono, não será essa a escolha imediata. Seria contar com uma racionalidade diferente daquela da Piromania apocalíptica dos aceleracionistas evangélicos. Mas retornarei a essa casa do tabuleiro, então é necessário tê-la em mente nos parágrafos abaixo. Vou chamá-la de OPÇÃO 1.

A segunda via é cumprir a promessa de "Choque e Pavor". Utilizar a capacidade que a Coalizão dos Piromaníacos ainda tem na região para destruir as usinas elétricas do Irã, seu complexo petroquímico, a infraestrutura crítica, pontes e estruturas civis de todos os tipos, a fim de passar o recado nu e cru de que "estamos levando vocês de volta à Idade da Pedra".

Óbvio que seria um abraço, para o mundo todo ver pela TV e redes sociais, a crimes de guerra bárbaros. Mas estamos falando do Ocidente, que assistiu o genocídio de Gaza sem fazer absolutamente nada, a não ser algumas lágrimas de crocodilo de intelectuais e jornalistas "progressistas" que juram serem capazes de civilizar o mundo.

Estamos falando de Israel, um país que já nasceu errado, roubando terras, associado ao imperialismo britânico, e praticando limpezas étnicas [Nakba]. Um país que tem uma condecoração homenageando o Grupo Lehi, organização considerada terrorista pelos britânicos e que tentou se aliar à Alemanha Nazista em plenos anos 1940. Um país que nesse exato momento está praticando mais uma limpeza étnica sem que o tal Ocidente, "campeão do humanitarismo", tenha coragem para fazer algo a respeito, a não ser meia dúzia de muxoxos acompanhados de ressalvas repugnantes.

Então, o Choque e Pavor é possível, ainda mais depois de um expurgo que deixou as Forças Armadas de quatro para Pete Hegseth, símbolo máximo da Piromania ianque.

As consequências seriam óbvias: o Irã cumpriria a promessa de fazer o mesmo com o GCC. O país já deu mostras nos últimos dias de que retaliaria à altura. Atacou usinas de energia, poços de petroleo, complexo petroquímico, indústrias químicas etc. É ingênuo imaginar que a Guarda Revolucionária entrou nessa sem a convicção de que precisaria ir às últimas consequências. Eles falam sério, e o erro crasso da cúpula ianque é não ter entendido isso de modo pleno. Ainda não entenderam que estão lidando com shias, que preferem o martírio à compactuarem com a injustiça. É claro que o nacionalismo persa quer que o país sobreviva, mas sem o elemento shia, é impossível entender o conflito. Desde os primeiros dias aviso que o Irã não vai deixar Israel vencer.

Enfim, essa via levaria a um choque econômico brutal, uma recessão que tem tudo para ser a maior do pós II Guerra Mundial, maior até que os choques de petróleo dos anos 1970. A ordem econômica global seria transformada, e os EUA e seus aliados [Europa Ocidental, Japão e Coreia do Sul] estariam no centro da debaclé.

O abismo se completaria pelo fato de que o Irã não se renderia, não reabriria Ormuz, e continuaria com sua capacidade balística operante. Ou seja, os EUA incendiaria o mundo, e não resolveria o problema. Estaria com o mesmo pepino nas mãos, e teria de voltar à Opção 1, aquela que implica em uma admissão de derrota.

Existe uma terceira vereda, praticamente um agravamento da segunda, que preferi não listar de início, mas que é importante mencionar, já que estamos lidando com psicopatas como Pete Hegseth e Benjamin Netanyahu. Ela consiste em provocar uma acidente nuclear na usina de Busherh.

Há sinais de que essa carta é considerada pela Coalizão dos `Piromaníacos. Dias atrás, Busherh foi atacada pela quarta vez, sofrendo um impacto direto, devidamente denunciado pelo Irã.

Um acidente desse tipo afetaria todo o Golfo, e levaria também à destruição econômica já descrita. Seria uma crime inominável, óbvio, mas estamos falando do país que tacou bomba atômica em Nagasaki e Hiroshima, e que usou o 'agente laranja' contra os vietnamitas.

Evidente que diante desse horror máximo, o Irã retaliaria em instalações nucleares israelenses, a essa altura todas mapeadas, a começar por Dimona, tornando a vida em Israel impossível, e espalhando o desastre radioativo para o Mediterrâneo Oriental e parte do Norte da África.

E depois disso tudo voltaríamos à primeira opção, porque a terra desceu ao Inferno, mas o Estreito estaria fechado, o Irã atirando mísseis, e o mundo financeiro comandado pelo dólar em cacos.

O capítulo final viria de uma possível reação sionista: o uso de bombas nucleares em resposta aos acidentes nucleares em seu território. Uma hipótese provável se chegarmos a esse ponto de não-retorno.

Bom, aí saberíamos se o Irã tem ou não a famosa bomba atômica. Se tiverem, vão dizimar todo o Oriente Médio. Se não tiverem, vão tornar a vida no Oriente Médio impossível de outras formas, ou escalando a retaliação em instalações nucleares, usando bombas sujas, ou detonando todas as usinas de dessalinização [há toda uma gama de possibilidades].

E depois do apocalipse, a opção número 1, que implicaria admitir a derrota ainda que de foram tácita, não teria mais sentido. E portanto a Coalizão dos Piromaníacos não precisaria tomá-la. A essa altura, saberíamos se Cristo retornaria, e caso aconteça, como o Senhor julgaria todos nós, incluindo a Coalizão dos Piromaníacos

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